Lembrado
como o presidente que emancipou os
escravos de seu país, Lincoln é
considerado um dos inspiradores da
moderna democracia e uma das maiores
figuras da história americana. Abraham
Lincoln nasceu em Hodgenville, Kentucky,
em 12 de fevereiro de 1809. Filho de
lavradores, desde cedo teve de trabalhar
arduamente. Aos sete anos foi para
Indiana com a família, em busca de
melhor situação econômica. Pouco
depois perdeu a mãe, e o pai casou-se
outra vez. Devido à dificuldade de
encontrar uma escola no novo domicílio e
desejoso de progredir, o jovem Lincoln
pedia livros a amigos e vizinhos para ler
depois das tarefas diárias. Empregou-se
numa serraria e mais tarde em barcos dos
rios Ohio e Mississipi. Em 1836, aprovado
em exames de direito, tornou-se um
advogado muito popular. No ano seguinte,
sua família mudou-se para Springfield,
Illinois, onde Lincoln encontrou melhores
oportunidades profissionais. Casou-se em
1842 com Mary Todd, mulher inteligente e
ambiciosa. Início político. Filiado ao
partido whig (conservador), Lincoln,
entre 1834 e 1840, havia se elegido
quatro vezes para a assembléia estadual,
onde defendera um grande projeto para a
construção de ferrovias, rodovias e
canais. Nessa época, sua atitude diante
do abolicionismo era reservada. Embora
considerasse a escravatura uma injustiça
social, temia que a abolição
dificultasse a administração do país.
Entre 1847 e 1849, foi representante de
Illinois no Congresso, onde propôs a
emancipação gradativa para os escravos,
tese que desagradou tanto aos
abolicionistas quanto aos escravistas.
Mais decisiva foi sua oposição à
guerra no México, que o fez perder
muitos votos. Sem conseguir se reeleger,
afastou-se da política durante cinco
anos. Presidência. A guerra contra o
México ampliara o território da União
e não era possível prever se a
população das novas terras se
declararia a favor da escravidão.
Instalou-se uma grande polêmica
nacional. Lincoln assumiu atitude
antiescravagista e transformou-se no
paladino dessa tendência após o debate
que travou com o senador democrata
Stephen Douglas. Em 1858, candidato ao
Senado pelo novo Partido Republicano,
perdeu as eleições para Douglas, mas
tornou-se líder dos republicanos. Em
1860, disputou o pleito para a
presidência da república e elegeu-se o
16º presidente dos Estados Unidos.
Guerra de secessão. Ao iniciar seu
governo, em 4 de março de 1861, Lincoln
teve de enfrentar o separatismo de sete
estados escravistas do sul, que formaram
os Estados Confederados da América. O
presidente foi firme e prudente: não
reconheceu a secessão, ratificou a
soberania nacional sobre os estados
rebeldes e convidou-os à conciliação,
assegurando-lhes que nunca partiria dele
a iniciativa da guerra. Os confederados,
porém, tomaram o forte Sumter, na
Virgínia Ocidental. Lincoln encontrou o
governo sem recursos, sem exército e com
uma opinião pública que lhe era
favorável somente em reduzida escala.
Com vontade férrea, profunda fé
religiosa e confiança no povo, iniciou
uma luta que primeiramente lhe foi
adversa. Só conseguiu armar sete mil
soldados, com os quais começou a guerra.
Num só ano, decuplicou o Exército,
organizou a Marinha e obteve recursos. Os
confederados haviam consolidado sua
situação, com a adesão de mais quatro
estados aos sete sublevados. Em meados de
1863 chegaram à Pensilvânia e
ameaçaram Washington. Foi nesse grave
momento que se travou, em 3 de julho de
1863, a batalha de Gettysburg, vencida
pelas forças do norte. Lincoln, que
decretara a emancipação dos escravos e
tomara outras providências liberais,
pronunciou, meses depois, ao inaugurar o
cemitério nacional de Gettysburg, o
célebre discurso em que definiu o
significado democrático do governo do
povo, pelo povo e para o povo, e que
alcançou repercussão mundial. A guerra
continuou ainda por dois anos, favorável
à União. Lincoln foi reeleito
presidente em 1864. Em 9 de abril de
1865, os confederados renderam-se em
Appomattox. Embora considerado
conservador ou reformista moderado no
início da presidência, as últimas
proposições de Lincoln foram
avançadas. Preparava um programa de
educação dos escravos libertados e
chegou a sugerir que fosse concedido, de
imediato, o direito de voto a uma parcela
de ex-escravos. Inclinou-se também à
exigência dos radicais por uma
ocupação militar provisória de alguns
estados sulistas, para implantar uma
política de reestruturação agrária.
Em 14 de abril de 1865, Lincoln assistia
a um espetáculo no Teatro Ford, em
Washington, quando foi atingido na nuca
por um tiro de pistola desferido por um
escravista intransigente, o ex-ator John
Wilkes Booth. Transportado para uma casa
vizinha, Lincoln morreu na manhã do dia
seguinte.
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