Crítico impiedoso da sociedade
brasileira e de suas instituições, o
romancista Aluísio Azevedo abandonou as
tendências românticas em que se formara
para tornar-se, influenciado por Eça de
Queirós e Émile Zola, o criador do
naturalismo no Brasil. Preocupado com a
realidade cotidiana, seus temas
prediletos foram o anticlericalismo, a
luta contra o preconceito de cor, o
adultério, os vícios, o povo humilde.
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo
nasceu em São Luís MA em 14 de abril de
1857. A chamado do irmão, o teatrólogo
Artur Azevedo, viajou para o Rio de
Janeiro aos 17 anos e começou a estudar
na Academia Imperial de Belas-Artes. Logo
passou a colaborar, com caricaturas e
poesias, em jornais e revistas. A partir
da publicação de seu primeiro romance,
Uma lágrima de mulher (1880),
exageradamente sentimental e em estilo
romântico, viveu durante 15 anos do que
ganhava como escritor. Ao ingressar por
concurso na carreira diplomática, em
1895, encerrou a literária. A serviço
do Brasil, esteve na Espanha, Japão,
Uruguai, Inglaterra, Itália, Paraguai e
Argentina. Um ano depois de seu pálido
romance de estréia saiu O mulato (1881),
em outro estilo. O livro foi publicado no
auge da campanha abolicionista e provocou
enorme escândalo. O autor tentava
analisar a posição do mestiço na
sociedade maranhense de seu tempo e
atacou o preconceito racial. Foi esse o
início de sua fase produtiva: até 1895
escreveu ao todo 19 trabalhos, entre
romances e peças teatrais. Continuou
colaborando em jornais e revistas, com
caricaturas, contos, críticas e novelas.
Ele próprio tentou lançar em São Luís
um periódico anticlerical intitulado O
Pensador, no mesmo ano de publicação de
O mulato. A reação hostil da sociedade
provinciana e do clero fez com que
voltasse definitivamente para o Rio de
Janeiro. Além de O mulato, os romances
que o consagraram perante a crítica e o
público foram Casa de pensão (1884) e O
cortiço (1890), considerado sua
obra-prima. No primeiro, inspirado num
caso da crônica policial do Rio,
descreve a vida nas pensões chamadas
familiares, onde se hospedavam jovens que
vinham do interior para estudar na
capital. Em O cortiço narra, em
linguagem vigorosa, a vida miserável dos
moradores de duas habitações coletivas.
Entre seus demais romances estão: A
condessa de Vésper (1902), publicado
primeiro em rodapé da Gazetinha, sob o
título Memórias de um condenado (1882);
Girândola de amores (1900), publicado
primeiro em folhetim na Folha Nova
(1882), sob o título de Mistério da
Tijuca; Filomena Borges (1884); O homem
(1887); O Coruja (1895), publicado
primeiro em rodapé de O País (1889); O
esqueleto (mistérios da casa de
Bragança) (1890), publicado sob o
pseudônimo de Victor Leal; A mortalha de
Alzira (1893); O livro de uma sogra
(1895), além dos contos de Demônios
(1890). Membro fundador da Academia
Brasileira de Letras (cadeira nº 4),
Aluísio Azevedo morreu em 21 de janeiro
de 1913 em Buenos Aires, Argentina, onde
ocupava o posto de vice-cônsul do
Brasil.
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