Amadeu Amaral (A. Ataliba Arruda A. Leite
Penteado), poeta, folclorista, filólogo e
ensaísta, nasceu em Capivari, SP, em 6 de
novembro de 1875, e faleceu em São Paulo, SP, em
24 de outubro de 1929. Eleito para a Cadeira n.
15, na vaga de Olavo Bilac, foi recebido em 14 de
novembro de 1919, pelo acadêmico Magalhães
Azeredo.
Autodidata, surpreendeu a todos por sua
extraordinária erudição, num tempo em que não
havia, em São Paulo, as universidades e os
cursos especializados que vieram depois.
Dedicou-se aos estudos folclóricos e, sobretudo,
à dialectologia. No Brasil, foi o primeiro a
estudar cientificamente um dialeto regional. O
dialeto caipira, publicado em 1920, escrito à
luz da lingüística, estuda o linguajar do
caipira paulista da área do vale do rio
Paraíba, analisando suas formas e
esmiuçando-lhe sistematicamente o vocabulário.
Visando à formação dos jovens, assim como
Bilac incentivara o serviço militar, Amadeu
Amaral procurou divulgar o escotismo, que
produziu frutos, no Brasil, até ser
posteriormente posto de lado.
Sua poesia enquadra-se na fase pós-parnasiana,
das duas primeiras décadas do século XX. Como
poeta, não estava à altura de seus dois
predecessores, Gonçalves Dias e Olavo Bilac, mas
destacou-se pelo desejo de contribuir, com suas
obras, para a elevação de seus semelhantes, em
todas as suas obras, a ponto de seu sucessor,
Guilherme de Almeida, ao ser recebido na
Academia, ter intitulado o seu discurso: "A
poesia educativa de Amadeu Amaral", não
porque tenha colocado em verso aos regras
gramaticais ou os princípios de moral e cívica,
mas porque visava indiretamente ao
aperfeiçoamento humano.
Por ocasião do VI centenário da morte de Dante,
proferiu, no Teatro Municipal de São Paulo, uma
conferência, enfatizando justamente os aspectos
de Dante que exaltam a elevação do espírito
humano através da Sabedoria. Também soube
ressaltar as qualidades morais de Bilac no seu
discurso de posse, mostrando-o não apenas como
um boêmio freqüentador da Confeitaria Colombo,
mas como homem preocupado com os problemas da sua
pátria e escritor que evoluiu em sua poesia para
um grau maior de espiritualidade.
Obras: Urzes, poesia (1899); Névoa, poesia
(1902); Espumas, poesia (1917); Lâmpada antiga,
poesia (1924), títulos que integram as Poesias,
publicadas postumamente em 1931; Letras floridas,
ensaio (1920); O dialeto caipira, filologia
(1920); O elogio da mediocridade, ensaio (1924);
Tradições populares, folclore (1948); Obras
completas de Amadeu Amaral, com prefácio de
Paulo Duarte (1948).
|