O nome da América é uma homenagem ao
mercador e navegador italiano Américo
Vespúcio, primeiro a constatar que as
recém-descobertas terras do Novo Mundo
constituíam um continente e não parte
da Ásia. Vespúcio, cujo nome italiano
era Amerigo Vespucci, nasceu em Florença
em 1454. Filho de um notário, recebeu
educação humanística na Itália e na
França, onde aprofundou os estudos de
geografia, astronomia e cosmografia. De
volta a Florença, entrou para o serviço
da família Medici, que em 1491 o enviou
a Sevilha, Espanha, como ajudante de
Giannotto Berardi, importante armador e
fornecedor dos navios de Cristóvão
Colombo. Em 1496, após a morte de
Berardi, Vespúcio assumiu a direção da
firma, e mais tarde, sem dúvida
estimulado por seu contato com Colombo e
outros navegantes, decidiu participar
pessoalmente das viagens de exploração
às Índias. A determinação do número
de viagens que Vespúcio fez à América
constitui objeto de polêmica histórica,
devido a contradições significativas
entre os dois conjuntos de documentos
existentes a respeito: uma carta de
Vespúcio ao magistrado veneziano Piero
Soderini, conhecida apenas por sua
edição italiana de Florença (1505) e
por duas versões latinas -- Mundus novus
(Novo Mundo) e Quattuor Americi
navigationes (Quatro viagens de
Américo), menciona quatro viagens; já
três cartas escritas pelo próprio
Vespúcio aos Medici, são citadas apenas
duas. A primeira viagem de Vespúcio,
posta em dúvida por muitos historiadores
e negada totalmente por outros, teria
começado em Cádiz, em 1497, e a volta
teria ocorrido em 1498. Não há dúvida,
porém, de que Vespúcio partiu em maio
de 1499 de Cádiz no comando, ao lado de
Alonso de Ojeda e Juan de la Cosa, de uma
frota espanhola de quatro navios, que
pretendia seguir a rota da terceira
viagem de Colombo. Quando chegou ao local
onde mais tarde seria a Guiana,
Vespúcio, que parece ter se separado de
Ojeda, rumou para o sul pela costa do
Brasil. Avistou o estuário do Amazonas e
alcançou o cabo de Santo Agostinho, em
Pernambuco. Voltou para o norte, explorou
a desembocadura do Orinoco e a ilha de
Trindade e chegou à Espanha em junho de
1500. Convencido até então de ter
percorrido a península do extremo leste
da Ásia descrita por Ptolomeu, Vespúcio
conseguiu que o rei D. Manuel I de
Portugal financiasse nova expedição em
busca de uma passagem para os mares da
China. Nessa segunda viagem, de
importância fundamental, o navegador
italiano partiu de Lisboa no dia 13 de
maio de 1501, chegou ao cabo Santo
Agostinho no final do mesmo ano, desceu
ao largo do litoral do Brasil, avistou a
baía de Guanabara e ultrapassou o
estuário do rio da Prata, que foi o
primeiro europeu a registrar, e alcançou
a costa meridional da Patagônia. Essa
circunstância convenceu-o de que havia
percorrido a costa de um novo continente,
pois seria impossível que a suposta
península asiática se prolongasse de
tal forma para o sul. Chegou de volta a
Lisboa a 22 de julho de 1502, em rota
desconhecida, e divulgou a notícia na
Europa. Em sua suposta quarta viagem,
Vespúcio teria partido de Lisboa em
1503, na expedição chefiada por
Gonçalo Coelho, e voltado em 1504.
Embora essa viagem seja duvidosa, é
certo que em 1505 entrou de novo para o
serviço da coroa espanhola e não viajou
mais. A partir de 1508 ocupou em Sevilha
o importante posto de piloto-mor da corte
espanhola. Ajudou a preparar o mapa
oficial das novas terras e das rotas
marítimas a partir dos dados fornecidos
pelas expedições. O primeiro a sugerir,
em honra de Vespúcio, a designação de
América para o novo continente foi o
humanista alemão Martin Waldseemüller,
que em 1507 reeditou as Quattuor Americi
navigationes, precedidas do panfleto de
sua autoria Cosmographiae introductio.
Apesar do êxito final da idéia, a
posterior detecção de contradições
nos textos atribuídos a Vespúcio gerou,
sobretudo por parte de historiadores
portugueses e espanhóis, a acusação de
que somente havia usurpado os méritos de
outros navegantes. Os diários de bordo
de Vespúcio e o mapa que fez do litoral
por ele descoberto desapareceram, mas
permaneceram alguns mapas, além do de
Waldseemüller, originados direta ou
indiretamente de seu trabalho. Vespúcio
morreu em Sevilha em 1512.
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