Uma polêmica exposição realizada por
Anita Malfatti em São Paulo, em dezembro
de 1917, foi marco pioneiro da
renovação das artes plásticas no
Brasil, já que as críticas severas que
recebeu serviram para polarizar as
forças isoladas do modernismo no
movimento que gerou a Semana de Arte
Moderna de 1922. Anita Catarina Malfatti
nasceu em São Paulo SP em 2 de dezembro
de 1896. Com apenas 16 anos viajou para a
Alemanha, onde freqüentou a Real
Academia de Munique e, como aluna do
pintor Lovis Corinth, a Academia de
Belas-Artes de Berlim. Nos trabalhos
dessa época manifestou a influência do
expressionismo alemão e evidenciou
sólida formação técnica,
independência e originalidade. Após
visitar uma exposição de
impressionistas e pós-impressionistas
franceses, no sul da Alemanha, esteve em
Paris, de onde retornou ao Brasil em
1914. Nesse ano realizou em São Paulo
sua primeira exposição individual.
Depois foi para Nova York, onde estudou
na Arts Students League e, com Homer
Boss, na Independent School of Art, e
conheceu artistas emigrados da Europa,
como Marcel Duchamp e Juan Gris. Durante
os anos de estudo, segundo suas próprias
palavras, viveu "em pleno idílio
pictórico" e pintou
"simplesmente por causa da
cor". Em 1917 regressou a São Paulo
e, em dezembro desse ano, realizou a
célebre exposição de 53 obras, algumas
das quais tornaram-se clássicos da
pintura brasileira moderna, como "A
estudante russa", "O homem
amarelo", "Mulher de cabelos
verdes" e "Caboclinha". A
arte de Malfatti foi muito atacada na
época por Monteiro Lobato, que não via
nela mais que caricatura. Mário de
Andrade, pelo contrário, identificou
prontamente a verve inovadora de
Malfatti: "Devo a revelação do
novo e a convicção da revolta a ela e
à força de seus quadros." Anita
Malfatti foi artista convidada da I
Bienal de São Paulo (1951) e figurou na
mesma mostra, em 1963, com uma sala
especial. Fora do Brasil, expôs
individualmente em Berlim, Paris e Nova
York. Há quadros de sua autoria nos
principais museus brasileiros, como o
Museu de Arte de São Paulo ("A
estudante"), o Museu de Arte
Contemporânea da Universidade de São
Paulo ("A boba") e o Museu
Nacional de Belas-Artes, no Rio de
Janeiro ("Uma rua"). Anita
Malfatti morreu em São Paulo em 6 de
novembro de 1964.
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