A soma do grande talento com a formação
musical erudita fizeram de Antônio
Carlos Jobim mais que um compositor
brasileiro reconhecido
internacionalmente. Pianista, maestro e
arranjador, compôs canções ao mesmo
tempo sofisticadas e acessíveis ao gosto
popular. Ao lado de João Gilberto e
Vinícius de Morais, foi um dos criadores
da bossa nova. Antônio Carlos Brasileiro
de Almeida Jobim, também conhecido como
Tom Jobim, nasceu no Rio de Janeiro RJ em
25 de janeiro de 1927. Desde a infância
viveu em Ipanema e já tocava violão
quando, aos 13 anos, interessou-se pelo
piano. Foi aluno de Lúcia Branco, uma
das melhores professoras de música da
cidade em sua época, e, a partir de
1941, do alemão Hans-Joachim
Koellreutter, mestre de muitos
compositores eruditos brasileiros. Em
1946 iniciou o curso de arquitetura, mas
abandonou a carreira para dedicar-se à
música. Tocou em casas noturnas e no
estúdio da gravadora Continental, onde
também foi arranjador e conviveu de
perto com o maestro e compositor Radamés
Gnatalli. Seu primeiro sucesso como
compositor foi uma parceria com Billy
Blanco, Teresa da praia, gravada em 1954
por Lúcio Alves e Dick Farney. Dois anos
depois, Vinícius de Morais pediu a Tom
para musicar sua peça Orfeu da
Conceição, logo depois adaptada para o
cinema pelo francês Marcel Camus.
Nasceram assim clássicos da música
popular brasileira, como Se todos fossem
iguais a você e A felicidade, esta
última composta para o filme. Tom Jobim
foi diretor artístico da gravadora Odeon
até 1958, ano em que Elisete Cardoso
gravou várias de suas canções com
Vinícius no disco Canção do amor
demais, marco na história da música no
Brasil. Em 1959, com o lançamento do
disco Chega de saudade, de João
Gilberto, Tom ficou conhecido como um dos
principais compositores da bossa nova. As
faixas de maior sucesso do disco foram,
além da canção-título, Desafinado
(1958) e Samba de uma nota só (1960),
compostas com Newton Mendonça e que se
tornaram a base da sólida carreira
internacional do "maestro da bossa
nova", introdutor de arranjos que
renovaram as estruturas tradicionais da
música popular brasileira. Em novembro
de 1962, Tom apresentou-se no Festival de
Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova
York, com outros músicos brasileiros. No
ano seguinte gravou um disco com o
saxofonista Stan Getz e, em 1967, com
Frank Sinatra. Em 1968, Sabiá, de Tom e
Chico Buarque, venceu o Festival
Internacional da Canção. Nas décadas
seguintes, Tom teve canções
interpretadas por grandes nomes como Ella
Fitzgerald e Elis Regina, musicou filmes
e produções para televisão. Tom teve
muitos parceiros musicais, entre os quais
Dolores Duran (Por causa de você) e
Aluísio de Oliveira (Dindi), mas a
parceria com Vinícius foi das mais
prolíficas e gerou sucessos como Chega
de saudade (1958), Eu sei que vou te amar
(1958) e Ela é carioca (1963), além de
Garota de Ipanema, que chegou a figurar
entre as dez canções mais executadas em
todo o mundo. Também compôs sozinho
alguns clássicos e na maioria deles
revela seu amor ao Rio de Janeiro, como
em Corcovado (1960), Samba do avião
(1963) e Lígia (1973). Letrista e
compositor refinado, autor de inúmeras
canções inspiradas na natureza, como
Wave (1969), Águas de março (1972) e
Passarim, a partir de Urubu, de 1976, Tom
Jobim passou a fazer arranjos mais
complexos, repletos de efeitos
orquestrais. Da década de 1980 em
diante, os temas de suas composições
voltaram-se cada vez mais para a riqueza
da natureza brasileira. Antônio Carlos
Jobim morreu em 8 de dezembro de 1994, em
Nova York.
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