Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, crítico,
ensaísta, tradutor, filólogo e lexicógrafo,
nasceu em Passo de Camaragibe, AL, em 2 de maio
de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28
de fevereiro de 1989. Eleito em 4 de maio de 1961
para a Cadeira n. 30, na sucessão de Antônio
Austregésilo, foi recebido em 18 de dezembro de
1961, pelo acadêmico Rodrigo Otávio Filho.
Filho de Manuel Hermelindo Ferreira, comerciante,
e de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira. Passou
parte da infância em Porto das Pedras, AL, e
estudou as primeiras letras em Maceió. Fez os
preparatórios no Liceu Alagoano. Aos 15 anos
ingressou no magistério e passou a se interessar
pela língua e literatura portuguesas.
Diplomou-se em Direito pela Faculdade do Recife,
em 1936. Em 1930 fez parte de um grupo de
intelectuais que exerceria forte influência
literária no Nordeste, entre outros, Valdemar
Cavalcanti, José Lins do Rego, Graciliano Ramos,
Raul Lima, Rachel de Queiroz. Em 1936 e 1937, foi
professor de Português, Literatura e Francês no
Colégio Estadual de Alagoas, e em 1937 e 1938,
diretor da Biblioteca Municipal de Maceió.
Passou a residir no Rio de Janeiro a partir de
1938. Continuou no magistério, como professor de
Português e Literatura Brasileira no Colégio
Anglo-Americano em 1939 e 1940; professor de
Português no Colégio Pedro II, de 1940 a 1969,
e professor de Ensino Médio do Estado do Rio de
Janeiro, de 1949 a 1980. Contratado pelo
Ministério das Relações Exteriores, exerceu a
cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade
Autônoma do México, de junho de 1954 a dezembro
de 1955.
Colaborou na imprensa carioca, escrevendo contos
e artigos. Foi secretário da Revista do Brasil
(3a fase), quando era seu diretor Otávio
Tarquínio de Sousa, de 1939 a 1943. Nessa
época, evidenciava-se o escritor, nos contos de
Dois mundos, livro publicado em 1942 e premiado
em 1944 pela Academia Brasileira de Letras, e no
ensaio "Linguagem e estilo de Eça de
Queirós", publicado em 1945. Em 1941
começou Aurélio Buarque a atividade que o iria
absorver a vida inteira e que, de certa forma,
iria suplantar o Aurélio escritor: o Aurélio
dicionarista. Foi quando o convidaram a executar,
pela primeira vez, um trabalho lexicográfico,
como colaborador do Pequeno dicionário da
língua portuguesa. Em janeiro de 1945, tomou
parte no I Congresso Brasileiro de Escritores,
realizado em São Paulo.
As múltiplas atividades de professor,
lexicógrafo e de verdadeiro colaborador nas
obras de seus amigos escritores valeram-lhe,
desde aquela época, o título de
"Mestre". Em 1947, iniciou no
Suplemento Literário do Diário de Notícias a
seção "O Conto da Semana", que
durará até 1960 e, a partir de 1954, terá a
colaboração de Paulo Rónai. Essa colaboração
entre os dois amigos vinha desde 1941, quando se
conheceram na redação da Revista do Brasil, e
se concretizou no trabalho conjunto dos cinco
volumes da coleção Mar de histórias, antologia
do conto mundial, o primeiro deles publicado em
1945.
A partir de 1950 Aurélio Buarque manteve, na
revista Seleções do Readers Digest, a
seção "Enriqueça o seu
vocabulário", que em 1958 ele irá reunir e
publicar no volume de igual título. Em 1963,
tomou parte, em Bucareste, representando a
Academia, no Simpósio de Língua, História,
Folclore e Arte do Povo Romeno, visitando na
mesma ocasião a Bulgária, Iugoslávia,
Tchecoslováquia e Grécia. Foi membro da
Comissão Nacional do Folclore e da Comissão
Machado de Assis.
A preocupação pela língua portuguesa, a
paixão pelas palavras levou-o à imensa tarefa
de elaborar o seu próprio dicionário, e esse
trabalho lexicográfico ocupou-o durante muitos
anos. Finalmente, em 1975, saiu o Novo
dicionário da língua portuguesa, conhecido por
todos como o dicionário Aurélio. Desde a sua
publicação, Mestre Aurélio atendeu a muitos
convites, no Brasil inteiro, para falar do
Dicionário e dos mistérios e sutilezas da
língua portuguesa, que ele enriqueceu de tantos
brasileirismos, fazendo do brasileiro comum um
consulente de dicionário e um usuário
consciente do seu idioma. Pronunciou numerosas
conferências, sobre assuntos literários e
lingüísticos, no México, Estados Unidos, Cuba,
Guatemala e Venezuela.
Pertenceu à Associação Brasileira de
Escritores, seção do Rio de Janeiro (1944-49).
Era membro da Academia Brasileira de Filologia,
do Pen Clube do Brasil, do Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de
Letras e da Hispanic Society of America.
Obras: Dois mundos, contos (1942);
"Linguagem e estilo de Eça de
Queirós", in Livro do centenário de Eça
de Queirós (1945); Mar de histórias (Antologia
do conto mundial), em colaboração com Paulo
Rónai, I vol. (1945); II vol. (1951); III vol.
(1958); IV vol. (1963); V vol. (1981); Contos
gauchescos e lendas do sul, de Simões Lopes
Neto. Edição crítica, com amplo estudo sobre a
linguagem e o estilo do autor (1949); O romance
brasileiro (de 1752 a 1930), história literária
(1952); Roteiro literário do Brasil e de
Portugal (Antologia da língua portuguesa), em
colaboração com Álvaro Lins (1956);
Território lírico, ensaios (1958); Enriqueça o
seu vocabulário, filologia (1958); Vocabulário
ortográfico brasileiro (1969); O chapéu de meu
pai, edição revista e reduzida de Dois mundos
(1974); Novo dicionário da língua portuguesa
(1975); Minidicionário da língua portuguesa
(1977).
Além dos contos que traduziu para a coleção
Mar de Histórias, Aurélio Buarque de Holanda
traduziu romances de vários autores, os Poemas
de amor, de Amaru, e os Pequenos poemas em prosa,
de Charles Baudelaire.
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