Aurélio de Lyra Tavares nasceu na cidade da
Paraíba (atual João Pessoa), na Paraíba, em 7
de novembro de 1905. Militar, fez parte do
Estado-Maior do Exército (1943), onde foi
encarregado de organizar a FEB (Força
Expedicionária Brasileira) e comandou o 4º
Exército pelo período de governo de Castello
Branco. Em 1966, assumiu a ESG (Escola Superior
de Guerra) e, durante o governo Costa e Silva,
foi nomeado ministro do Exército (1967-1969).
Exerceu o cargo de presidente da república numa
junta composta pelos ministros Augusto Hamann
Rademaker Grünewald, da Marinha, Aurélio de
Lyra Tavares, do Exército, e Márcio de Sousa e
Mello, da Aeronáutica, em 31 de agosto de 1969,
quando o presidente Artur da Costa e Silva foi
afastado devido a uma trombose cerebral. A
nomeação da junta composta por militares foi
feita pelo Alto Comando das Forças Armadas, que
temia a abertura do Congresso e suspenção dos
atos institucionais que vigoravam.
Este período teve grande conturbação
política, incluindo o seqüestro do embaixador
americano Charles Elbrick no Rio de Janeiro, em 4
de setembro de 1969, por movimentos rebeldes ALN
(Ação Libertadora Nacional) e do MR-8
(Movimento Revolucionário 8). Entre outras
exigências, os militantes exigiam a libertação
de presos políticos. O governo atendeu a
condição dos sequestradores e libertou 15
pessoas em troca do embaixador.
Após o episódio, o governo militar decretou
mais dois atos institucionais, o AI-13, que
estabeleceu a pena de banimento em caso de
ameaça à segurança do Estado e o AI-14, que
instituiu a pena de morte e prisão perpétua
para casos de guerra revolucionária ou
subversiva.
Em outubro de 1969, a junta militar editou o
AI-16, que extinguiu o mandato do presidente
Costa e Silva e de seu vice Pedro Aleixo e criou
um calendário para a nova eleição
presidencial. Numa manobra política para acabar
com a oposição à indicação do general
Emílio Garrastazu Médici, foi instituído ainda
o AI-17, que mandava para a reserva os militares
considerados ameaçadores à coesão das forças
armadas.
Ainda com o objetivo de reprimir os movimentos de
esquerda, a junta editou a emenda constitucional
número 1 ao AI-5, um dos mais populares dos
atos, que foi criado em 1967 instituindo a
censura, através da qual aumentavam os poderes
punitivo e repressivo do Estado. Em 22 de outubro
de 1969, o Congresso Nacional foi reaberto para
eleger Emílio Médici como presidente e Augusto
Rademaker, como vice.
Em abril de 1970, Aurélio Lyra foi eleito membro
da ABL (Academia Brasileira de Letras) e, em
junho, nomeado embaixador do Brasil na França,
cargo que ocupou até dezembro de 1974. Faleceu
em 18 de novembro de 1998.
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