Quem ouve os primeiros acordes e versos da
modinha "Tão longe de mim distante",
de Carlos Gomes, impressionando-se com a sua
beleza e a espiritualidade de sua poesia, está
na verdade reverenciando também o trabalho de um
dos maiores vultos do Espiritismo, de todos os
tempos: Bittencourt Sampaio.
Sergipano, nascido na cidade de Laranjeiras, a
1º de fevereiro de 1834, Francisco Leite de
Bittencourt Sampaio contava então apenas 25 anos
(sua parceria com o autor da ópera "O
Guarani" ocorreu em 1859), mas já foi
suficiente para revelar ao público o que seria
um dos grandes gênios da poesia brasileira.
Segundo o prezado Zeus Wantuil, "não se
sabe quando ele entrou para o Espiritismo, mas em
02 de agosto de 1873 já fazia parte da Diretoria
do "Grupo Confúcio", primeira
sociedade espírita surgida em terras cariocas.
Lá desenvolveu sua mediunidade receitista,
curando muitos doentes com remédios homeopatas.
Mais tarde (1882), já na condição de grande
amigo de Bezerra de Menezes, Bittencourt fez o
prodígio de transformar todo o Evangelho de
João em magníficos versos decassílabos, na
obra "A Divina Epopéia", por sinal, a
mesma estrutura poética utilizada por Dante
Alighieri na sua "Divina Comédia",
pérola da literatura universal.
Advogado, jornalista, alto funcionário público
e político ativo, foi deputado por sua
província em duas legislaturas e Presidente
(Governador) do Espírito Santo. Presidiu,
também, a Biblioteca Nacional, no Rio de
Janeiro.
Desencarnou no Rio de Janeiro, a 10 de outubro de
1895.
Já de volta à vida espiritual, foi autor de
dois grandes clássicos da literatura espírita:
"Jesus Perante a Cristandade" e
"Do Calvário ao Apocalipse", esta
última o complemento para a obra "Os Quatro
Evangelhos", de João-Baptista Roustaing,
prometido pelos seus espírito autores desta
última.
É apontado por Fred Figner, na obra
"Voltei", como o responsável pelos
estudos evangélicos na pátria de Ismael.
Por tudo que fez, por tudo que é, Bittencourt
Sampaio é também ... Sal da Terra.
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