Numa época em que os paisagistas brasileiros
viam apenas rosas e cravos importados da Europa,
Roberto Burle Marx descobria qualidades nas
plantas do Brasil. Com intuição e
sensibilidade, cuidou da vegetação de sua casa,
no morro do Leme, no Rio de Janeiro, modelando
formas e texturas das plantas para compor um
jardim. Mais tarde, tornou-se conhecedor de
fisiologia e comportamento das plantas, coletando
e catalogando muitas espécies durante
expedições pela floresta tropical. Elaborou
projetos paisagísticos e urbanísticos como a
orla marítima em Copacabana e o jardim em
Botafogo. Filho de imigrantes europeus, Burle
Marx estudou Canto e Pintura em Berlim
(1928-1930). De volta ao Rio de Janeiro,
ingressou na Escola de Belas-Artes, iniciando a
carreira de pintor. Com a pintura, atividade que
jamais abandonou, conseguiu técnica, disciplina
e clareza na organização do espaço. No início
dos anos 30, foi convidado pelo arquiteto Lúcio
Costa a realizar seu primeiro trabalho
paisagístico: a residência Schwartz, em
Copacabana, no Rio de Janeiro (1932). Como
diretor do Departamento dos Parques e Diversões
do Recife (1934-1937), construiu o primeiro
jardim ecológico do Brasil. Em 1930, novamente
com Lúcio Costa, elaborou jardins e terraços do
prédio do Ministério da Educação, no Rio de
Janeiro, marco da moderna arquitetura brasileira.
Com Oscar Niemeyer, trabalhou nos jardins do
conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas
Gerais (1942). Fez, ainda: o espaço zoológico
do Jardim Botânico (1946), a urbanização e
aterro do Parque do Flamengo (1961) e o Museu de
Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro (1954); o
Parque do Ibirapuera, em São Paulo (1953);
jardins, terraços e tapeçaria para o Palácio
do Itamaraty (1965), em Brasília; pátios
internos da sede da Unesco em Paris (1963); o
Parque de Las Americas, no Chile; os jardins da
Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova
York; entre muitos outros trabalhos.
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