O nome de Chacrinha era José Abelardo Barbosa de
Medeiros. Ele nasceu em Pernambuco, em 20 de
janeiro de 1916. Aos 10 anos mudou-se com a
família para Campina Grande, na Paraíba. Com 17
anos foi estudar em Recife e logo em 1936 entrou
para a faculdade de Medicina. Foi quando foi
fazer uma palestra sobre alcoolismo e percebeu
seu jeito, junto ao público. Pode-se dizer que
isso aconteceu de estalo, tanto que ele
interrompeu seus estudos, já no 3º ano da
faculdade e embarcou para o Rio de Janeiro.
Iniciou sua carreira como locutor na Rádio TUPI
do Rio de Janeiro, em 1939. Mas era inquieto e em
1943 foi para a Rádio Fluminense e lançou o
programa: "Rei Momo na Chacrinha", que
fez muito sucesso. É que a emissora se
localizava em uma pequena chácara, em Niteroi.
Ele ficou sendo chamado de Abelardo Chacrinha
Barbosa e depois só Chacrinha. Em 1950 lançou o
programa "Cassino do Chacrinha", no
qual lançou vários sucessos da música
brasileira. Foi ele quem lançou: "Estúpido
Cupido" de Cely Campelo";
"Coração de Luto", de Teixeira. E na
Chacrinha ele "fingia", com sons e
ruídos que lá aconteciam enormes festas e
lançamentos. Foi em 1956 que estreou na
televisão. Na TV TUPI do Rio de Janeiro,
lançou: "Rancho Alegre", programa
homônimo ao de Mazzaropi em São Paulo. Ali
Abelardo lançou "A Discoteca do
Chacrinha". Passou depois para a TV Rio e em
1968, para a TV Globo. Chegou a fazer dois
programas semanais. Fez "A Buzina do
Chacrinha", onde, com uma buzina na mão,
" gongava" calouros. E perguntava:
"Vai para o Trono, ou não vai?". Foi
para a TV TUPI de São Paulo, depois TV
Bandeirantes e em 1982 retornou à Rede Globo de
Televisão. Convidava muitos artistas e cantores
em seus programas e lançou a moda de se
apresentar fantasiado. Dizem que, a princípio,
recebia na chacrinha seus convidados de cueca.
Depois, porém, criava a cada semana uma fantasia
diferente. Foi patrocinado pelas "Casas da
Banha", por muitos anos e é por isso, que
quando fazia programa de auditório , jogava
abacaxis, ou bacalhaus em seu público e gritava:
"Vocês querem bacalhau?". "Eu vim
para confundir, e não para explicar".
Foi-se tornando o maior apresentador de todos os
tempos. É dele também a frase: "Quem não
se comunica, se trumbica", muito citada
pelos estudiosos de comunicação. E ainda dizia:
" Em televisão nada se cria, tudo se
copia". . Chacrinha também chamava jurados,
para ajudá-lo a julgar os calouros. Criou ainda
as "chacretes", que eram moças bonitas
que dançavam, enfeitando seus programas. Ele
lhes deu nomes chamativos, com Suely Pingo de
Ouro, Rita Cadilac, Índia Amazonense, Fernanda
Terremoto, etc. Mas dizem que ele as mantinha sob
forte controle e segurança. O "Velho
Guerreiro", como passou a ser chamado,
lançava músicas de carnaval e foi homenageado
pela Escola de Samba Império Serrano, em 1987.
Nesse ano também recebeu o título de professor
honoris-causa da UniverCidad, do Rio de Janeiro.
Por três décadas foi líder de audiência na
televisão. Casado com dona Florinda Barbosa por
41 anos, eles tiveram três filhos: José
Amélio, Jorge Abelardo e Zé Renato, que, com o
passar dos anos o ajudaram na produção de seus
programas. Abelardo Barbosa, o Chacrinha, faleceu
em 30 de julho de 1988, deixando imensa saudade
em todos aqueles que o conheceram e o amaram. E.
pode-se dizer, deixou uma lacuna, pois ainda não
apareceu quem ocupe seu lugar.
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