São Camilo nasceu no ano de 1550, em
Bacchianico, cidade do reino de Nápoles.
O dia do nascimento foi o da morte de sua
mãe. Na idade de 6 anos perdeu o pai,
oficial do exército. Do pai parecia
ter-lhe vindo a predileção pela vida
militar. Mal soube ler e escrever
alistou-se no exército e, moço de 18
anos apenas, tomou parte numa campanha
contra os turcos. Gravemente doente,
voltou a Roma, onde foi internado no
hospital dos incuráveis. A paixão,
porém, pelo jogo fez com que o
demitissem daquele estabelecimento. Posto
na rua, doente, pobre, procurou serviço
como servente de pedreiro, trabalhando em
seguida numa casa que os capuchinhos
estavam construindo. Apesar dos erros
cometidos, Deus não o abandonou. Uma
conversa que teve com o guardião do
convento, abriu-lhe os olhos. Largou do
jogo, fez penitência e invocou a
misericórdia divina. Camilo tinha então
25 anos. Entrou na Ordem dos Capuchinhos,
onde fez o noviciado e passou depois para
os Franciscanos. Estes, porém, não lhe
consentiram a permanência na Ordem, por
causa duma úlcera que tinha no pé, e
que pelos médicos fora declarada
incurável. Acabrunhadíssimo, dirigiu-se
ao hospital de São Tiago, em Roma, onde
foi aceito e, por uma feliz
circunstância, nomeado administrador do
mesmo. Nesta nova posição se dedicou
exclusivamente ao serviço dos enfermos.
Observando que os enfermeiros
assalariados muito mal cumpriam o dever,
e os pobres doentes, devido a esta
circunstância, sofriam muitos vexames e
privações, Camilo começou a ocupar-se
com o problema de adquirir enfermeiros
que, iguais a ele, tomassem este encargo
somente por amor de Deus. A conselho de
S. Filipe Nery, organizou uma Irmandade
religiosa, cujos membros se obrigavam a
tratar dos doentes, sem para isto aspirar
a outra recompensa, a não ser a de Deus.
Os primeiros poucos irmãos eram leigos,
aos quais mais tarde se associaram alguns
sacerdotes. Adquiriram uma casa, onde
moraram em comunidade. Esta tomou
incremento e em bem pouco tempo, Camilo
teve necessidade de abrir institutos
idênticos na Itália, Sicília e outras
partes da Europa. Seguindo ainda o
conselho de Filipe Nery e o exemplo de
Santo Inácio, apesar de seus 32 anos,
voltou ao estudo e recebeu o sacramento
da Ordem. Sacerdote, podia, além de
médico corporal, ser médico das almas.
A bula da canonização enaltece a
virtude da caridade, que fez Camilo ser
uma verdadeira mãe para os doentes. A
caridade chegou-lhe ao extremo por
ocasião da peste em Roma. Embora doente
e sofrendo dores horríveis no pé, ia de
casa em casa, procurando, socorrendo e
consolando os pobres doentes. Numerosos
são os casos, em que foi visto levando
às costas os doentes aos hospital, onde
os tratava com o maior carinho. Quando a
peste fez entrada em Milão e Nola,
Camilo acompanhou-a levando consigo a
caridade, que o fez praticar maravilhas
de mortificação e zelo apostólico. É
de admirar que Deus recompensasse seu
servo, dando-lhe diversos dons
sobrenaturais, de que este se aproveitou
para salvar as almas? Muitos doentes
recuperaram a saúde só pela palavra e
oração do Santo. Muitos se converteram
dos pecados, por lhes ter Camilo mostrado
que estes eram a causa da doença, e o
perigo de viver em pecado mortal. Camilo
era humilde e, por causa da humildade, o
homem mais querido em Roma. Chorando
sempre os pecados da mocidade, dizia-se
indigno de morar entre os homens e
merecedor do inferno. Palavras de elogios
entristeciam e irritavam-no. Não
permitia que o chamassem fundador duma
Ordem e depois de 27 anos de Superior,
pediu que lhe tirassem este fardo, e o
pusessem debaixo da obediência. Camilo
era caridoso para com os outros e severo
para consigo. Muito doente, sofri muitas
dores, mas nunca se lhe ouvia da boca uma
palavra de queixa ou gemido de dor. Tendo
diante de si seus pecados e o inferno por
eles merecido, menosprezava a dor, por
mais intensa e cruel que fosse.
Gravemente enfermo e desenganado pelos
médicos, Camilo recebeu o Santo Viático
das mãos do Cardeal Ginnásio, amigo e
protetor da Ordem. Vendo a sagrada
Hóstia disse, com as lágrimas nos
olhos: "Alegro-me por me terem dito
que entraremos na casa do Senhor.
Reconheço, Senhor, que sou dos pecadores
o maios e indigno de receber vossa
graça; salvai-me segundo a vossa
misericórdia. Ponho a minha confiança
nos merecimentos do vosso preciosíssimo
sangue". Terminou a vida no ano de
1614, tendo 65 anos de idade. Em 1746 foi
canonizado por Bento XIV. S. Camilo é
padroeira dos agonizantes.
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