Destacado pioneiro no desenvolvimento da
chamada Psicologia Humanista, ou Terceira
Força em Psicologia - segundo a
classificação de Abraham Maslow -, Carl
Ranson Rogers foi um dos principais
responsáveis - embora quase nunca se
fale nisso - pelo acesso e reconhecimento
dos psicólogos ao universo clínico,
antes dominado pela psiquiatria médica e
pela psicanálise - que, nos EUA, era
exercida exclusivamente por médicos até
bem pouco tempo atrás. Sua postura
enquanto terapêuta sempre esteve apoiada
em sólidas pesquisas e observações
clínicas, podendo-se, sem sombra de
dúvida, dizer que o campo de pesquisas
objetivas voltadas para o referencial
teórico da Abordagem Centrada na Pessoa
é formado por um número considerável
de trabalhos, indo mesmo além que o
número de pesquisas feitas sobre muitas
outras abordagens, incluindo a
psicanálise. Nascido em Oak Park,
Ilinois, EUA, em 8 de janeiro de 1902,
Carl Ranson Rogers era o filho do meio de
uma grande família protestante, onde os
valores tradicionais e religiosos (quase
fundamentalistas), juntamente com o
incentivo ao trabalho duro eram
amplamente cultivados. Aos doze anos,
Rogers e sua família mudam-se para uma
fazenda, onde, em terreno tão fértil e
estimulante, passou a se interessar por
agricultura e ciências naturais.
Posteriormente, na universidade, Rogers
se dedicaria, inicialmente, ao
aprofundamento de seus estudos em
ciências físicas e biológicas. Logo
após graduar-se na Universidade de
Wisconsin, em 1924, Rogers passou, como
era de se esperar diante das espectativas
de sua família, a frequentar o
Seminário Teológico Unido, em Nova
York, onde, felizmente, recebeu uma
liberal visão filosófica da religião.
Transferindo-se para o Teachers College
da Columbia University, foi introduzido
na psicologia. Nesta mesma universidade
obteve seus títulos de Mestre, 1928, e
Doutor, 1931. Suas primeiras
experiências clínicas, calcadas na
tradição behaviorista e, ainda mais,
psicanalista, foram feitas como interno
do Institute for Child Guidance, onde
sentiu a forte ruptura entre o pensamento
especulativo freudiano e o mecanicismo
medidor e estatístico do behaviorismo.
Depois de receber seu título de Doutor,
Rogers passou a fazer parte da equipe do
Rochester Center, do qual passaria a ser
diretor. Neste período, Rogers muito
tirou das idéias e exemplos de Otto
Rank, que havia se separado da linha
ortodoxa de Freud. Foi trabalhando em
Rochester que Rogers atingiu novos
insights e percepções do tratamento
psicoterpêutico que lhe liberou da forte
amarra cadêmica e concentual que havia
(e ainda há) no ensino e prática da
piscologia. Em 1949, Rogers passou a
ocupar a cátedra de Psicologia da
Universidade de Ohio. Por ter passado
muito tempo envolvido diretamente com a
clínica, a passagem para o meio
acadêmico foi muito dura para ele. Ficou
claro que, durante seu trabalho ativo com
clientes, ele tinha atingido novas formas
de pensar a prática psicoterapêutica
que eram muito diferentes das abordagens
acadêmicas convencionais. De todo modo,
as críticas iniciais a que foi submetido
e o interesse que os estudantes
demonstravam em sua teoria compeliu-o a
explanar melhor seus pontos de vista,
resultando uma série de livros,
principalmente Counseling and
psychoterapy (1942). Em 1945, Carl Rogers
tornou-se professor de Psicologia na
Universidade de Chicago e secretário
executivo do Centro de Aconselhamento
Terapêutico, quando elaborou e definiu
ainda mais seu método de terapia
centrada no cliente, a partir do legado
de outros teóricos, principalmente Kurt
Goldstein, formulando uma teoria da
personalidade e conduzindo pesquisas
sobre a psicoterapia, o que muito pouco
era feito com relação à abordagem do
momento, a Psicanálise. Em 1957, Rogers
passa a ensinar na Universidade em que se
graduou, Winconsin, até 1963. Durante
esses anos, ele liderou um grupo de
pesquisadores que realizou um brilhante
estudo intensivo e controlado, utilizando
a psicoterapia centrada com pacientes
esquizofrênicos, obtendo, em alguns
pontos, muito material sobre a relação
terapêutica e muitos outros dados de
interesse científico, em termos
estatísiticos, com estes e com seus
familiares. De qualquer modo, foi o
início de uma abordagem mais humana
junto aos pacientes hospitalares. Desde
1964, Rogers associou-se ao Centro de
Estudos da Pessoa, em La Jolla,
Califórina, entrando em contato com
outros teóricos humanistas, como Maslow,
e filósofos, como Buber e outros. Rogers
passou a ser agraciado por muitos
psicólogos pelo seu trabalho
científico, e atacado por outros, que
viam nele e em sua teoria uma abordagem
tola e/ou perigosa para o status e o
poder que tinham, principalmente nos
meios médicos que se viram forçados a
reconhecer, à custas das inúmeras
pesquisas sérias levadas por Rogers e
seus auxiliaraes, que o psicólogo pode
ter tanto ou mais sucesso no tratamento
piscoterapêutico quanto um psiquiatra ou
psicanalista... É duro para a medicina
perder um espaço que lhe diminui o poder
político e mítico sobre a visão que
dela têm as pessoas comuns. Rogers foi,
por duas vezes, eleito presidente da
Associação Americana de Psicologia e
recebeu desta mesma associação os
prêmios de Melhor Contribuição
Científica e o de Melhor Profissional.
Rogers morreu ativo, em 1987, aos 85 anos
de idade.
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