Humberto Castello Branco nasceu em Fortaleza, no
Ceará, no dia 20 de setembro de 1897. Sua base
de educação foi inteiramente militar com
períodos de estudo no Colégio Militar de Porto
Alegre, Escola Militar de Realengo, Escola de
Aperfeiçoamento de Oficiais da Armada, Escola de
Estado-Maior e Escola de Aviação Militar.
Durante a campanha da Itália, feita na Segunda
Guerra Mundial, fez parte da Seção de
Planejamento e Operações da FEB (Força
Expedicionária Brasileira). Passou ao cargo de
subchefe do EMFA (Estado Maior das Forças
Armadas), comandante da Escola do Estado-Maior e
diretor do departamento de estudos da ESG (Escola
Superior de Guerra). Foi promovido a general do
Exército (1962), nomeado comandante do 4º
Exército, em Recife (1962-1963), e designado
chefe do Estado-Maior do Exército (1963-1964).
Castello Branco foi um dos principais
articuladores do golpe militar de 1964, que
depôs o presidente João Goulart. Durante o
período de transição, o presidente da Câmara,
Paschoal Ranieri Mazzilli, assumiu
temporariamente a presidência da República
enquanto a alta cúpula militar preparava a
substituição definitiva.
No dia 9 de abril de 1964, o supremo Comando
Militar, composto pelo Exército, Marinha e
Aeronáutica decretou o AI-1 (Ato Institucional
número 1), o primeiro de uma série de AIs que
marcaram o período militar. De acordo com o
documento, que em princípio teria validade de
seis meses, a partir daquela data todas as
garantias de vitalicidade e estabilidade em
cargos públicos estabelecidas pela
Constituição foram suspensas; o presidente
passava a ter o direito de cassar mandatos e
suspender direitos políticos por 10 anos de
qualquer cidadão e de propor emenda à
Constituição e declarar estado de sítio.
Dois dias depois da publicação do AI-1, o
marechal Humberto de Alencar Castello Branco foi
eleito pelo congresso Nacional como representante
para assumir a presidência da república em 15
de abril de 1964. O regime militar que passou a
ser vigorado a partir desta data era baseado na
política de fortalecimento do poder Executivo e
na idéia de "segurança nacional".
Para tanto foram criados novos órgãos
governamentais, como o SNI (Serviço Nacional de
Informação).
Marechal Castello Branco alegava ter como
principal proposta impedir o avanço do comunismo
e da corrupção e recuperar a credibilidade
internacional do Brasil. O governo iniciou esta
política com uma ação que foi denominada de
"operação limpeza", que teve início
com os inquéritos policiais-militares, as
prisões, as suspensões de direitos políticos e
as cassações de mandatos de vários cidadãos,
entre eles João Goulart, Leonel Brizola,
Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.
Sindicatos e federações operárias sofreram
intervenções e foram extintas as ligas
camponesas e todas as organizações que
defendiam as reformas de base do governo
anterior. As perseguições e as prisões se
multiplicaram. Foram presos líderes sindicais,
líderes operários, líderes religiosos,
estudantes, professores, camponeses e militares
acusados de subversão. Em 1965 houve eleições
para governadores em 11 Estados brasileiros. Nos
demais, as eleições seriam em 1966.
A vitória de Israel Pinheiro em Minas Gerais e a
de Negrão de Lima na Guanabara, no Rio de
Janeiro, agitaram os meios militares, pois esses
candidatos eram acusados de serem contra o regime
militar e eram aliados de Juscelino.
Apesar da pressão de muitos militares, chamados
de "durões" da revolução, Castello
Branco garantiu a posse dos eleitos. Em 27 de
outubro de 1965, foi decretado o AI-2, que
instituiu a eleição indireta para presidente e
a extinção de todos os partidos políticos até
então existentes.
A partir desta data, passaram a existir apenas
dois partidos no Brasil: Arena (Aliança
renovadora nacional e MDB (Movimento Democrático
Brasileiro). Em 5 de fevereiro de 1966, foi
decretado o AI-3 que estabelecia eleições
indiretas para os governadores e para os
prefeitos das capitais.
Em janeiro de 1967, o Congresso Nacional, que
estava fechado desde outubro de 1966, foi
reaberto apenas para aprovar a nova
Constituição por determinação do AI-4, que
foi decretado em 7 de dezembro de 1966. Na área
econômica, o governo lançou mão de um plano de
combate a inflação e de recuperação
econômica chamado Paeg (Plano de Ação
Econômica do Governo), que visava garantir aos
empresários nacionais e estrangeiros o aumento
dos seus lucros para que eles investissem mais
capital no Brasil.
O governo assumiu o pleno controle da economia,
reduziu o crédito bancário, aumentou os
impostos e iniciou a prática da redução dos
salários, que ficou conhecida como política de
arrocho salarial. Foi instituído o FGTS (Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço) que substituiu
a garantia da estabilidade no emprego e a
unificação dos institutos de aposentadoria e
pensões com a criação do INPS (Instituto
Nacional de Previdência Social).
Em janeiro de 1967, a nova Constituição federal
entrou em vigor sob duras críticas, inclusive no
meio político. Em dezembro do ano seguinte, era
instituído o AI-5, um dos atos institucionais
que criou mais polêmica por acabar com a
liberdade de imprensa e restringir a liberdade de
expressão.
Faleceu no Ceará em acidente aéreo em 18 de
julho de 1967.
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