Criado na Floresta Amazônica, sem jamais
freqüentar uma escola e tendo de trabalhar desde
os 9 anos como seringueiro, Francisco Alves
Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, foi
responsável pela mais eficaz militância
ecológica já ocorrida no país, tornando-se
símbolo mundial da luta pela preservação da
Amazônia. Para evitar a devastação da floresta
e conservar o modo de vida dos habitantes locais,
quer fossem índios, seringueiros, ribeirinhos ou
pescadores, pregava a sua organização, a
negociação pacífica com os pecuaristas e a
criação das reservas extrativistas: áreas
protegidas para usufruto da população que vive
da exploração de recursos materiais renováveis
e que deve, por lei, combinar preservação
ambiental e desenvolvimento econômico e
tecnológico. Provocou, no entanto, a ira de
fazendeiros da região, sendo assassinado, em
1988, por Darli Alves da Silva e seu filho, Darci
Alves Pereira. Sua trajetória política
iniciou-se quando participou do II Congresso
Nacional da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), defendendo a tese Em Defesa da Floresta.
Ao final do Congresso, foi eleito suplente da
diretoria nacional do órgão. No final dos anos
de 1970, ajudou a fundar os primeiros sindicatos
do Acre, com o apoio da Confederação dos
Trabalhadores Agrícolas (Contag) e da Igreja
Católica. Em 1985, organizou o I Encontro
Nacional de Seringueiro, destacando-se como
principal liderança da região. Nos anos
seguintes, mantendo incansável luta pela
preservação da floresta, recebeu o
reconhecimento internacional. Foi visitado por
membros da Organização das Nações Unidas
(ONU) e recebeu o Prêmio Global 500, conferido a
pessoas que se destacam na defesa do meio
ambiente. Em 1988, meses antes de sua morte, o
governo federal, por meio do Ministério da
Reforma Agrária, instalou a primeira reserva
extrativista na Amazônia, cuja responsabilidade
de organização ficou a cargo do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Xapuri. Atualmente,
existem aproximadamente 21 reservas, ocupando
mais de 3 milhões de hectares da floresta.
Depois de um século de trabalho semi-escravo
devido à exploração da borracha, os
seringueiros passaram a ser reconhecidos como uma
categoria especial de trabalhadores rurais, que
tanto vivem dos produtos da floresta como lutam
por sua preservação.
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