Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro
Leopoldo (MG), no dia 2 de abril de 1910.
Filho de operário inculto e de humilde
lavadeira, ficou órfão de mãe aos
cinco anos de idade. Seu pai se viu
obrigado a entregar alguns dos seus nove
filhos aos cuidados de pessoas amigas e
Chico Xavier ficou com sua madrinha,
mulher nervosa que o maltratava
cruelmente. Nos seus momentos de
angústia, um anjo de Deus, que fora sua
mãe na Terra, o assistia, quando,
desarvorado, orava nos fundos do quintal:
"Tenha paciência, meu filho! Você
precisa crescer mais forte para o
trabalho. E quem não sofre não aprende
a lutar". O menino aprendeu a
apanhar calado, sem chorar. Diariamente,
à tarde, com vergões na pele e o sangue
a correr-lhe em delgados filetes pelo
ventre, ele, de olhos enxutos e
brilhantes, se dirigia para o quintal, a
fim de reencontrar a mãezinha querida,
vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.
Algum tempo depois, terminou seu
martírio. Seu pai casou-se novamente e
sua madrasta, alma boa e caridosa, o
recolheu carinhosamente, a ele e a todos
os irmãos que estavam espalhados. A
situação era difícil. A guerra acabara
e graçava a gripe espanhola. O salário
do chefe da família dava escassamente
para o necessário e os meninos
precisavam estudar. Foi então que a boa
madrasta teve uma idéia: plantar uma
horta e vender os legumes. Em algumas
semanas, o menino já estava na rua com o
cesto de verduras. Desta forma,
conseguiram encher o cofre e voltar a
frequentar as aulas. Em janeiro de 1919
Chico Xavier começou o ABC. Com a saída
do chefe da casa para o trabalho e das
crianças para a escola, a madrasta era
obrigada, algumas vezes, a deixar a casa
a sós, pois precisava buscar lenha à
distância. Foi então que surgiu um
problema: a vizinha, se aproveitando da
ausência de todos, passou a colher a
verduras e, sem verduras, não haveria
dinheiro para as despesas da escola.
Preocupada, a madrasta, não querendo
ofender a amiga, pediu a Chico Xavier
que, pedisse um conselho ao espírito de
sua mãe. À tardinha, o menino foi ao
quintal e rezou como fazia sempre que
queria conversar com sua mãe e lhe
contou o problema. Sua mãe lhe disse que
realmente não deviam brigar com os
vizinhos e lhe deu uma sugestão: toda
vez que sua madrasta se ausentasse, que
desse a chave de casa à vizinha, para
que ela tomasse conta da casa. Dessa
forma, a vizinha, responsável pela casa,
não tocou mais nas hortaliças. Passados
todos esses problemas, o menino não viu
sua genitora com tanta frequência. Mas
passou a ter sonhos. À noite,
levantava-se agitado e conversava com
locutores invisíveis. De manhã, contava
as peripécias de pessoas mortas, coisas
que ninguém podia compreender! O pai
resolveu levá-lo ao vigário de
Matozinhos, que, após ouvi-lo,
recomendou que o garoto não lesse mais
jornais, revistas, livros. Disse-lhe que
ninguém volta a conversar depois da
morte e que era o demônio que lhe estava
perturbando. O menino chorava nos braços
de sua madrasta, criatura piedosa e
compreensiva. Ao conversar com sua mãe,
triste por não ser compreendido por
ninguém, escutou dela que precisava
modificar seus pensamentos, que não
deveria ser uma criança indisciplinada,
para não ganhar antipatia dos outros.
Deveria aprender a se calar e que, quando
se lembrasse de alguma lição ou
experiência recebidas em sonho, que
ficasse em silêncio. Precisava aprender
a obediência para que Deus, um dia, lhe
concedesse a confiança dos outros. E
durante 7 anos consecutivos, de 1920 a
1927, ele não teve mais qualquer contato
com sua mãe. Integrado na comunidade
católica, obedecia às obrigações que
lhe eram indicadas pela Igreja.
Confessava-se, comungava, comparecia
pontualmente à missa e acompanhava as
procissões. Em 1923 terminou o curso
primário, no Grupo. Levantava-se às
seis da manhã para começar, às sete,
as terefas escolares e entrando para o
serviço da fábrica às três da tarde,
para sair às onze da noite. Em 1925
deixou a fábrica, empregando-se na venda
do Sr. José Felizardo Sobrinho, onde o
trabalho ia das seis e meia da manhã às
oito da noite. As perturbações noturnas
continuaram. Depois de dormir, caía em
transe profundo. Em 1927 uma de suas
irmãs caiu doente. Um casal de
espíritas, reunido com familiares da
doente, realizaram a primeira sessão
espírita que teve lugar na casa. Na
mesa, dois livros: "O Evangelho
Segundo o Espiritismo" e o "O
Livro dos Espíritos", de Allan
Kardec. Pela mediunidade de D. Carmem,
sua mãe manifestou-se: "Meu filho,
eis que nos achamos juntos novamente. Os
livros à nossa frente são dois tesouros
de luz. Estude-os, cumpra com seus
deveres e, em breve, a bondade divina nos
permitirá mostrar a você seus novos
caminhos. " A primeira e única
professora de Chico que descobriu sua
mediunidade psicográfica foi D.
Rosália. Fazia passeios campestres com
os alunos que deveriam, no dia seguinte,
levar-lhe uma composição, descrevendo o
passeio. A de Chico tirava sempre o
primeiro lugar. Desconfiada, D. Rosália,
um dia, fez o passeio mais cedo e, na
volta, pediu que os alunos fizessem a
composição em sua presença. Chico,
novamente, tira o primeiro lugar,
escrevendo uma verdadeira página
literária sobre o amanhecer e daí
tirando conclusões evangélicas.
Rosália mostrou aos amigos íntimos a
composição e todos foram unânimes em
reconhecer que aquilo, se não fora
copiado, era então dos espíritos. Ao
entrar para o funcionalismo público,
como datilógrafo, na Fazenda Modelo do
Ministério da Agricultura, começa a
demonstrar sua admiração pela natureza.
Distante 6 quilômetros da cidade, em
contato com a natureza, ama até as
pedras e os montes pensativos. Vê em
tudo poesia e oração, trata as árvores
como irmãs e compreende como poucos a
alma do grande todo. Vê em tudo poesia e
vida, verdade e luz, beleza e amor e,
acima de tudo, a presença de Deus! Em
maio de 1927 foi realizada a primeira
sessão espírita no lar dos Xavier, em
Pedro Leopoldo. Em junho do mesmo ano foi
cogitada a fundação de um núcleo
doutrinário. Em fins de 1927 o Centro
Espírita Luiz Gonzaga, sediado na
residência de José Cândido Xavier, que
se fez presidente da instituição,
estava bem frequentado. As reuniões se
realizavam às segundas e sextas-feiras.
A nova sede do Grupo Espírita Luiz
Gonzaga foi construída no local onde se
erguia, antigamente, a casa de Maria
João de Deus, genitora de Chico Xavier.
Em 8 de julho de 1927, Chico Xavier fez a
primeira atuação do serviço
mediúnico, em público. Seu primeiro
livro psicografado foi publicado em 1931.
Em 1931, Chico passou a receber as
primeiras poesias de "Parnaso de
Além -Túmulo", que foi lançado em
julho de 1932. Em 1950, Chico Xavier
havia recebido, pela sua psicografia,
mais de 50 ótimos livros. Vivia no
apogeu de triunfos mediúnicos. Estava
conhecidíssimo no Brasil e no mundo
inteiro. O Parnaso de Além Túmulo, por
si só, valia pelo mais legítimo dos
documentos, validando-lhe o instrumental
mediúnico, o mais completo e seguro que
o Espiritismo tem tido para lhe revelar
as verdades, inclusive o intercâmbio das
idéias entre os dois Mundos. Além
disso, recebera romances , livros e mais
livros, versando assuntos filosóficos,
científicos e, sobretudo, realçando o
espírito da letra dos Evangelhos,
escrevendo e traduzindo, de forma clara e
precisa, as Lições consoladoras e
imortais do Livro da Vida. Em 5 de
janeiro de 1959 mudou-se para Uberaba,
sob a orientação dos Benfeitores
Espirituais, iniciando nessa mesma data,
as atividades mediúnicas, em reunião
pública da Comunhão Espírita Cristã.
Deu ele, então, início à famosa
perigrinação. Aos sábados, saindo da
"Comunhão Espírita-Cristã",
o bondoso médium visitava alguns lares
carentes, levando-lhes a alegria de sua
presença amiga, acompanhado por grande
número de pessoas afinizadas. Sob a luz
das estrelas e de um lampião que seguia
à frente, iluminando as escuras ruas da
periferia, ia contando fatos de grande
beleza espiritual. A cidade de Uberaba,
desde a sua vinda para cá,
transformou-se num pólo de atração de
inúmeros visitantes das mais variadas
regiões do Brasil, e até mesmo do
exterior, que aqui aportam com o objetivo
de conhecer o médium. Aqueles que
conhecem a sua vida e a sua obra não
medem distâncias para vê-lo. Seu
trabalho sempre consistiu na divulgação
doutrinária e em tarefas assistenciais,
aliadas ao evangélico serviço do
esclarecimento e reconforto pessoais aos
que o procuram. Os direitos autorais de
seus livros publicados, em torno de 340,
são cedidos, gratuitamente, às editoras
espíritas ou a quaisquer outras
entidades. Quanto à fortuna material,
ele continua tão pobre quanto era. Chico
é um homem aposentado e recebe somente
os proventos de sua aposentadoria. Do
ponto de vista espiritual, Chico Xavier
é, a cada dia que passa, um homem mais
rico: multiplicou os talentos que o
Senhor lhe confiou, através de seu
trabalho, de sua perseverança e da sua
humildade em serviço. Com a saúde
debilitada, Chico Xavier vem confirmando,
nos últimos tempos, a sua condição de
um autêntico missionário do Cristo,
pois impossibilitado de comparecer às
reuniões do Grupo Espírita da Prece,
ele tem reunido as forças que lhe restam
para continuar, em casa, a tarefa da
psicografia. E, embora debilitado,
continua de ânimo firme e a alma com
grande capacidade de trabalho. Chico
Xavier ama a tarefa que o Senhor lhe
concedeu.
Artigo Especial: Chico Xavier morre em
Uberaba aos 92 anos (30/06/2002 - 21h03)
Chico Xavier, o médium brasileiro mais
famoso, morreu no início da noite deste
domingo, na cidade mineira de Uberaba
(494 km de Belo Horizonte), aos 92 anos.
Ele foi encontrado no quarto pelo filho
adotivo, Eurípedes Humberto. Segundo a
família, ele sofreu uma parada
cardíaca, após reclamar de dores no
peito e nas costas durante a manhã.
Autor de mais de 400 livros, lançados
por editoras espíritas e traduzidos para
vários idiomas, Chico Xavier personifica
o espiritismo no Brasil. Popular, era
sempre visitado por artistas e
políticos. Recebia todos com um sorriso
e um beijo na mão. O velório deverá
ser no Centro Espírita Casa da Prece, em
Uberaba. Não foi definido ainda onde ele
será enterrado. Francisco Cândido
Xavier nasceu no dia 2 de abril de 1910
na cidade mineira de Pedro Leopoldo.
Pedro Leopoldo ficou conhecida
nacionalmente a partir da década de 30,
com as notícias sobre as sessões
mediúnicas de Chico Xavier. Segundo a
Federação Espírita do Brasil, Chico
Xavier participou de sua primeira
reunião espírita em 7 de maio de 1927.
Seu primeiro livro "Parnaso de
Além-Túmulo" foi publicado em
1932. Desde cedo, sua saúde foi frágil.
Teve problemas nos pulmões,
consequência de seu trabalho em uma
tecelagem. No ano passado, ele sofreu uma
grave pneumonia. Em 1981, cerca de 10
milhões de brasileiros assinaram
manifestos para que ele recebesse o
prêmio Nobel da Paz.
Fonte:
Site Chico Xavier (Biografia)
http://planeta.terra.com.br/arte/chicoxavier/index.htm
Folha Online (artigo especial)
http://www.uol.com.br/folha
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