Francisca Edwiges Neves, a Chiquinha
Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro, a 17
de outubro de 1847. Filha de uma família
ilustre do Império, Chiquinha Gonzaga
educou-se com o Cônego Trindade e com o
Maestro Lobo, casando-se, aos treze anos,
com Jacinto Ribeiro do Amaral, um oficial
da Marinha Mercante. O casamento durou o
tempo de transformar Chiquinha em mãe de
cinco filhos. Ela não aguentou mais a
reclusão do navio onde seu marido servia
e as ordens dele para que ela não se
envolvesse com a música. Naquela época,
uma mulher que abandonasse o marido
tornava-se responsável por uma
"vergonha" que devia enfrentar
sozinha. Depois de mais uma experiência
amorosa frustrante, Chiquinha Gonzaga
compreendeu sua falta de vocação para o
casamento. Passou, então, a viver como
mulher independente, situação em que
pôde revelar sua verdadeira
personalidade. Trabalhou como professora
de piano e obteve grande sucesso,
tornando-se também compositora de
polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao
mesmo tempo, juntou-se a um grupo de
músicos de choro, com quem tocava em
festas. Foi a necessidade de adaptar o
som de seu piano ao gosto popular que lhe
valeu a glória de se tornar a primeira
compositora popular do país. O sucesso
de Chiquinha Gonzaga começou em 1877,
com a polca "Atraente". A
partir da repercussão de sua primeira
composição impressa, Chiquinha resolveu
se lançar no teatro de variedades.
estreiou compondo a trilha da opereta de
costumes "A Corte na Roça", de
1885. Em 1934, aos 87 anos, Chiquinha
Gonzaga escreveu a partitura da opereta
"Maria". Chiquinha compôs as
músicas de 77 peças teatrais,
tornando-se responsável por cerca de
2000 composições. Em 1897, todo o
Brasil dançou sua estilização do
corta-jaca, sob a forma de tango
"Gaúcho", mais conhecido como
"Corta-Jaca". Dois anos depois,
compôs "Ó Abre Alas", a
primeira marcha carnavalesca que se tem
notícia. E foi cercada dessa glória que
Chiquinha Gonzaga viveu até 28 de
fevereiro de 1935, às vésperas do
carnaval, festa que ela tanto amava.
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