As circunstâncias exteriores e a trama
narrativa têm importância secundária
nos contos e romances de Clarice
Lispector. Em busca de uma linguagem
especial para expressar paixões e
estados de alma, a escritora utilizou
recursos técnicos modernos como a
análise psicológica e o monólogo
interior. Sua obra, densa e original,
figura entre as mais importantes da
narrativa literária brasileira. Clarice
Lispector nasceu em 10 de dezembro de
1925 em Tchetchelnik, Ucrânia. Quando
ela contava apenas dois meses de idade,
sua família mudou-se para o Brasil.
Clarice passou a infância em Recife PB e
em 1937 transferiu-se para o Rio de
Janeiro RJ, onde cursou direito. Estreou
na literatura ainda muito jovem com o
romance Perto do coração selvagem
(1943), visão interiorizada do mundo da
adolescência, que teve calorosa acolhida
da crítica e recebeu o Prêmio Graça
Aranha. Em 1944, recém-casada, viajou
para Nápoles, onde serviu num hospital
da Força Expedicionária Brasileira. De
volta ao Brasil, publicou em 1946 O
lustre e, depois de uma longa estada na
Suíça e Estados Unidos, fixou-se no Rio
de Janeiro. A obra de Clarice Lispector
expressa uma visão profundamente pessoal
e existencialista do dilema humano, num
estilo que se caracteriza pelo
vocabulário simples e pela estrutura
frasal elíptica. Sua ficção transcende
o tempo e o espaço; os personagens,
postos em situações limite, são com
freqüência femininos e só
secundariamente modernos ou mesmo
brasileiros. A melhor prosa da autora se
mostra nos contos de A legião
estrangeira (1964) e Laços de família
(1972). Em obras como A maçã no escuro
(1961), A paixão segundo G.H. (1964) e
Água-viva (1973), os personagens,
alienados e em busca de um sentido para a
vida, adquirem gradualmente consciência
de si mesmos e aceitam seu lugar num
universo arbitrário e eterno. Escreveu
ainda A cidade sitiada (1949), Uma
aprendizagem ou o livro dos prazeres
(1969) e A hora da estrela (1977), que
conta a história de Macabéa, moça do
interior em busca de sobreviver na cidade
grande. A versão cinematográfica desse
romance, dirigida por Suzana Amaral em
1985, conquistou os maiores prêmios do
festival de cinema de Brasília e deu à
atriz Marcélia Cartaxo, que fez o papel
principal, o troféu Urso de Prata em
Berlim em 1986. Clarice Lispector morreu
no Rio de Janeiro em 9 de dezembro de
1977.
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