No dia 2 de dezembro do ano de 1825 no
Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio
de Janeiro nasceu o segundo Imperador do
Brasil. Sétimo filho e terceiro varão
de D. Pedro I e da Imperatriz D. Maria
Leopoldina, que morreu quando D. Pedro II
tinha apenas um ano de idade. Herdou o
direito ao trono com a morte de seus
irmãos mais velhos Miguel e João
Carlos. Como seus outros dois irmãos
homens tinham morrido ele era o herdeiro
do trono brasileiro.Tinha 5 anos quando o
pai abdicou e ficou no Brasil sob a
tutela de José Bonifácio de Andrade e
Silva e, depois (1833-1840) Manuel
Inácio de Andrade Souto Maior, marquês
de Itanhaéme. Durante sua menoridade o
Brasil foi dirigido por uma Regência.
Começou a estudar sob a orientação da
camareira-mor D. Mariana Carlota de Verna
Magalhães Coutinho, mais tarde condessa
de Belmonte. Foi aclamado segundo
imperador do Brasil, aos seis anos de
idade e assumiu o trono aos 15 anos
(18/06/1841), um ano depois de ser
declarado maior e começar a reinar. Com
diversos mestres ilustres de seu tempo, o
jovem imperador instruiu-se em português
e literatura, francês, inglês, alemão,
geografia, ciências naturais, música,
dança, pintura, esgrima e equitação. A
um de seus preceptores, o de português e
literatura, Cândido José de Araújo
Viana, futuro marquês de Sapucaí,
atribui-se influência não pequena nas
atitudes resolutas do jovem de apenas 15
anos. Quando da revolução da
Maioridade, por exemplo, ao receber a
delegação parlamentar que lhe fora
indagar se desejava esperar mais três
anos ou assumir desde logo o poder,
respondeu: "Quero já!". No dia
30 de maio do ano de 1843, D. Pedro II
casou-se com a princesa napolitana Teresa
Cristina Maria de Bourbon, filha de
Francisco I, do Reino das Duas Sicílias.
Foi pai de quatro filhos, mas só dois
sobreviveram: as princesas Isabel e
Leopoldina. No seu reinado o Brasil teve
um grande desenvolvimento, progrediu
grandemente no campo social. No início
de seu governo fez viagens diplomáticas
às províncias mais conflituadas.
Interessado pelas letras e pelas artes,
manteve correspondência com cientistas
europeus, entre eles Pasteur e Gobineau,
sempre protegendo os intelectuais e
escritores. Durante seu reinado,
percorreu quase todo o Brasil, viajou
para várias partes do mundo, visitando a
América do Norte, a Rússia, a Grécia e
vários outros países da Europa e o
Oriente Médio (1871-1887), procurando
trazer para o Brasil várias inovações
tecnológicas. Apoiado pelo partido
Conservador, criou o Conselho de Estado e
a reforma do código de processo
criminal, o que provocou a revolta dos
Liberais (1842), em Minas Gerais e São
Paulo, contornada só após o final da
guerra dos Farrapos (1845). Em
conseqüência desse feito, surgiu a
Insurreição Praieira (1848), em
Pernambuco. Em virtude destas revoltas
iniciou um amplo trabalho de
conciliação política apartidária, nas
nomeações dos integrantes do Conselho
de Estado e dos presidentes de
província, sob a coordenação do
marquês de Paraná, Honório Hermeto
Carneiro Leão, que dobrou a resistência
do Partido Conservador, que culminou com
a criação da Liga Progressista (1860),
que, reduzindo os membros conservadores,
permitiu a Zacarias de Góis e
Vasconcelos, à frente do Conselho de
Ministros, realizar importantes reformas
no final do período. Neste período,
importantes acontecimentos sociais e
econômicos ocorreram, como o declínio
do escravismo, sobretudo a partir de
1850, com a extinção do tráfico
negreiro e a contratação dos ingleses
(1850), para elaborarem e implantarem
sistemas de esgotamento para o Rio de
Janeiro e São Paulo, a época, as
principais cidades brasileiras. Com o
final da guerra do Paraguai (1870), os
conservadores estavam novamente
fortalecidos e as divergências
políticas mais agudas, o que fez surgir
o Partido Republicano (1870), dando
início a decadência política do
Império. Na questão religiosa (1872),
prendeu os bispos D. Vital e D. Macedo
Costa, por desafiarem o poder real.
Julgados e condenados pelo Supremo
Tribunal (1875), foi-lhes concedida a
anistia. Na sua última viagem ao
exterior como imperador (1887), com
muitos problemas de saúde, visitou a
França, Alemanha e Itália (1887) e, em
Milão, foi acometido de uma pleurisia e
levado para Aix-les-Bains, onde
permaneceu em tratamento, antes de poder
voltar ao Brasil (1888). Na sua
ausência, a princesa Isabel assinou a
Lei Áurea, sancionada a 13 de maio de
1888, determinando o encerramento de mais
um ciclo econômico e acelerando também
o fim do regime político. Já
enfraquecido, o império foi proclamado a
Repúblicano dia 15 de Novembro de 1889 e
com isso o império sofreu grande abalo.
Foi prisioneiro do paço da Cidade, para
onde viera, descendo de Petrópolis, na
esperança de sufocar o movimento
republicano. O governo provisório
deu-lhe 24 horas para deixar o país, e
assim, deixou o país e foi com a
família para Portugal (17/11/1889), dois
dias após a proclamação da República,
chegando a Lisboa em 7 de dezembro e
seguindo para o Porto, onde a imperatriz
morreu no dia 28. Viveu então entre
Cannes, Versalhes e Paris, onde assiste a
espetáculos de arte e participa de
palestras e conferências. Viveu até 66
anos, morrendo de pneumonia, no luxuoso
hotel Bedford, em Paris, no dia 5 de
dezembro do ano de 1891. Seus restos,
transladados para Lisboa, foram colocados
no convento de São Vicente de Fora,
junto aos da esposa. Revogada a lei do
banimento (1920), foram os despojos dos
imperadores trazidos para o Brasil.
Depositados de início na catedral do Rio
de Janeiro (1921), foram transferidos
para a de Petrópolis (1925) e
definitivamente enterrados (1939). O
ilustre governante passou à história
como um intelectual, apreciador da
ciência, das artes e da liberdade de
informação e como homem tolerante,
aberto ao diálogo e às transformações
da vida social. Seu nome completo: Pedro
de Alcântara João Carlosn Leopoldo
Salvador Bibiano Francisco Xavier de
Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael
Gonzaga.
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