Darcy Ribeiro, etnólogo, antropólogo,
professor, educador, ensaísta e romancista,
nasceu em Montes Claros (MG), em 26 de outubro de
1922, e faleceu em Brasília, DF, em 17 de
fevereiro de 1997. Eleito em 8 de outubro de 1992
para a Cadeira n. 11, sucedendo a Deolindo Couto,
foi recebido em 14 de abril de 1993, pelo
acadêmico Candido Mendes de Almeida.
Diplomou-se em Ciências Sociais pela Escola de
Sociologia e Política de São Paulo (1946), com
especialização em Antropologia. Etnólogo do
Serviço de Proteção aos Índios, dedicou os
primeiros anos de vida profissional (1947-56) ao
estudo dos índios do Mato Grosso, Amazonas,
Brasil Central, Paraná e Santa Catarina. Nesse
período fundou o Museu do Índio, que dirigiu
até 1947, e criou o Parque Indígena do Xingu.
Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa
da causa indígena. Elaborou para a UNESCO um
estudo do impacto da civilização sobre os
grupos indígenas brasileiros no século XX e
colaborou com a Organização Internacional do
Trabalho na preparação de um manual sobre os
povos aborígenes de todo o mundo. Organizou e
dirigiu o primeiro curso de pós-graduação em
Antropologia, tendo sido professor de Etnologia
da Faculdade Nacional de Filosofia da
Universidade do Brasil (1955-56).
Diretor de Estudos Sociais do Centro Brasileiro
de Pesquisas Educacionais do MEC (1957-61);
presidente da Associação Brasileira de
Antropologia. Participou com Anísio Teixeira, da
defesa da escola pública; criou a Universidade
de Brasília, de que foi o primeiro reitor; foi
ministro da Educação do Governo Jânio Quadros
(1961) e chefe da Casa Civil do Governo João
Goulart, tendo sido um dos líderes das reformas
estruturais. Com o golpe militar de 64, teve os
direitos políticos cassados e foi exilado.
Viveu em vários países da América Latina,
conduzindo programas de reforma universitária,
com base nas idéias que defendeu em A
Universidade necessária. Professor de
Antropologia da Universidade Oriental do Uruguai;
foi assessor do presidente Salvador Allende, no
Chile, e de Velasco Alvarado, no Peru. Escreveu
nesse período os cinco volumes de seus estudos
de Antropologia da Civilização (O processo
civilizatório, As Américas e a civilização, O
dilema da América Latina, Os brasileiros - 1.
Teoria do Brasil e Os índios e a civilização),
nos quais propõe uma teoria explicativa das
causas do desenvolvimento desigual dos povos
americanos.
Ainda no exílio, escreveu dois romances: Maíra
e O mulo, aos quais acrescentou, mais tarde,
Utopia selvagem e Migo. Publicou Aos trancos e
barrancos, que é um balanço crítico da
história brasileira de 1900 a 1980. Publicou
também a coletânea de ensaios insólitos Sobre
o óbvio e um balanço da sua vida intelectual:
Testemunho. Editou, juntamente com Berta G.
Ribeiro, a Suma etnológica brasileira. Publicou,
pela Biblioteca Ayacucho, em espanhol, e pela
Editora Vozes, em português, A fundação do
Brasil, um compêndio de textos históricos dos
séculos XVI e XVII, comentados por Carlos
Moreira e precedidos de longo ensaio analítico
sobre os primórdios do Brasil.
Em 1976, retornou ao Brasil, sendo anistiado em
1980. Voltou a dedicar-se à educação e à
política. Participando do PDT com Leonel
Brizola, foi eleito vice-governador do Estado do
Rio de Janeiro (1982). Foi cumulativamente
secretário de Estado da Cultura e coordenador do
Programa Especial de Educação, com o encargo de
implantar 500 CIEPs no Estado do Rio de Janeiro.
Criou também a Biblioteca Pública Estadual, a
Casa França-Brasil, a Casa Laura Alvim, o Centro
Infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo,
em que colocou 200 salas de aula para fazê-lo
funcionar também como uma enorme escola
primária.
Em 1990, foi eleito senador da República,
função que exerceu defendendo vários projetos,
entre eles uma lei de trânsito para proteger os
pedestres contra a selvageria dos motoristas; uma
lei dos transplantes que, invertendo as regras
vigentes, torna possível usar os órgãos dos
mortos para salvar os vivos; uma lei contra o uso
vicioso da cola de sapateiro que envenena e mata
milhares de crianças. Publicou, pelo Senado
Federal, a revista Carta, onde os principais
problemas do Brasil e do mundo são analisados e
discutidos. Foi também secretário
extraordinário de Projetos Especiais do Estado
do Rio de Janeiro. Colaborou com o governador
Leonel Brizola na conclusão dos CIEPs e com o
Governo Federal nas condução pedagógica dos
CIACs. Ocupou-se ainda da revitalização da
Floresta da Pedra Branca, da implantação de uma
Universidade do Terceiro Milênio no norte
fluminense e da criação da Escola Superior da
Paz.
Entre suas façanhas maiores conta-se haver
contribuído para o tombamento de 98 quilômetros
de belíssimas praias e encostas, além de mais
de mil casas do Rio antigo. Colaborou na
criação do Memorial da América Latina,
edificado em São Paulo com projeto do arquiteto
Oscar Niemeyer. Gravou um disco na série
mexicana "Vozes da América". E mereceu
títulos de Doutor Honoris Causa da Sorbonne, da
Universidade de Copenhague, da Universidade do
Uruguai, da Universidade da Venezuela e da
Universidade de Brasília (1995). Prêmio Fábio
Prado, de São Paulo (1950).
Entre 1992 e 1994, ocupou-se de completar a rede
dos CIEPs; de criar um novo padrão de ensino
médio, através dos Ginásios Públicos; e de
implantar e consolidar a nova Universidade
Estadual do Norte Fluminense, com a ambição de
ser uma Universidade do Terceiro Milênio. No Rio
de Janeiro, revitalizou a Floresta da Pedra
Branca, numa área de 12.000 hectares.
Em 1995, lançou seu mais recente livro, O povo
brasileiro, que encerra a coleção de seus
Estudos de Antropologia da Civilização, além
de uma compilação de seus discursos e ensaios
intitulada O Brasil como problema. Lançou,
ainda, um livro para adolescentes, Noções das
coisas, com ilustrações de Ziraldo,
considerado, em 1996, como altamente
recomendável pela Fundação Nacional do Livro
Infantil e Juvenil.
Em 1996, entregou à Editora Companhia das Letras
seus Diários índios, em que reproduziu
anotações que fez durante dois anos de
convívio e de estudo dos índios Urubu-Kaapor,
da Amazônia. Seu primeiro romance, Maíra,
recebeu uma edição comemorativa de seus 20
anos, incluindo resenhas e críticas de Antonio
Callado, Alfredo Bosi, Antonio Houaiss, Maria
Luíza Ramos e de outros especialistas em
literatura e antropologia. Ainda nesse ano,
recebeu o Prêmio Interamericano de Educação
Andrés Bello, concedido pela OEA.
Obras ETNOLOGIA: Culturas e línguas indígenas
do Brasil (1957); Arte plumária dos índios
Kaapo (1957); A política indigenista brasileira
(1962); Os índios e a civilização (1970); Uira
sai, à procura de Deus (1974); Configurações
histórico-culturais dos povos americanos (1975);
Suma etnológica brasileira, em colaboração com
Berta G. Ribeiro (1986, 3 vols.). ANTROPOLOGIA DA
CIVILIZAÇÃO: O processo civilizatório - Etapas
da evolução sócio-cultural (1978); As
Américas e a civilização - Processo de
formação e causas do desenvolvimento cultural
desigual dos povos americanos (1970); O dilema da
América Latina - Estruturas do poder e forças
insurgentes (1978); Os brasileiros - 1. Teoria do
Brasil (1972); Os índios e a civilização - A
integração das populações indígenas no
Brasil moderno (1970); The Culture - Historical
Configurations of the American Peoples (1970;
edição brasileira, (1975); O povo brasileiro -
A formação e o sentido do Brasil (1995).
ROMANCE: Maíra (1976); O mulo (1981); Utopia
selvagem (1982); Migo (1988).
ENSAIOS: Kadiwéu - Ensaios etnológicos sobre o
saber, o azar e a beleza (1950); Configurações
histórico-culturais dos povos americanos (1975);
Sobre o óbvio - Ensaios insólitos (1979); Aos
trancos e barrancos - Como o Brasil deu no que
deu (1985); América Latina: a pátria grande
(1986); Testemunho (1990); A fundação do Brasil
- 1500/1700 - em colaboração com Carlos Araújo
Moreira Neto (1992); O Brasil como problema
(1995); Noções de coisas. Com ilustrações de
Ziraldo (1995).
EDUCAÇÃO: Plano orientador da Universidade de
Brasília (1962); A Universidade necessária
(1969); Propuestas - Acerca da la Renovación
(1970); Université des Sciences Humaines
dAlger (1972); La Universidad peruana
(1974); UnB - Invenção e descaminho (1978);
Nossa escola é uma calamidade (1984);
Universidade do terceiro milênio - Plano
orientador da Universidade Estadual do Norte
Fluminense (1993). Obras suas foram traduzidas
para o inglês, o alemão, o espanhol, o
francês, o italiano, o hebraico, o húngaro e o
tcheco.
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