Formado pela Academia de Belas Artes de Paris,
Jean Baptiste Debret, foi um dos membros da
Missão Artística Francesa ao Brasil, organizada
a pedido do rei dom João 6º. Liderada por
Joachim Lebreton, a missão era composta também
pelo arquiteto Charles-Simon Pradier, e pelo
paisagista Nicolas-Antonine Taunay e seu irmão,
o escultor Auguste Marie Taunay.
Debret era primo de Jacques-Louis David
(1748-1825), chefe da escola neoclássica
francesa, com quem estudou. O estilo de David,
marcado pela preocupação de formar um caráter
nacional, está presente nas telas de Debret.
Como pintor oficial do Império, ele desenhou a
bandeira do Brasil com a cor verde e o losango
amarelo que permaneceram na bandeira republicana.
Debret chegou ao Rio de Janeiro em Março de 1816
e ficou no Brasil até 1831. Ele decidira deixar
a vida confortável em Paris por causa da derrota
de Napoleão e a perda de seu único filho.
Seu trabalho retrata o cotidiano, o processo de
independência do Brasil e os primeiros anos do
governo de Pedro I. Uma de suas obras mais
conhecidas é um quadro de dom João em tamanho
real.
Além de pintar retratos da família real, como
uma grande tela sobre a coroação de dom Pedro
1º., ele lecionou na Academia Imperial de Belas
Artes do Rio de Janeiro. Em 1829 montou a
primeira exposição de artes do Brasil, com os
trabalhos dos alunos.
Após regressar à França, publicou entre 1834 e
1839, uma série de gravuras reunidas em três
volumes. A preocupação documental do artista é
evidente nas páginas da "Voyage Pitoresque
et Historique au Brésil ou Séjour d'un Artiste
Français au Brésil" (Viagem Pitoresca e
Histórica ao Brasil ou Estadia dum Artista
Francês no Brasil).
Com um colorido harmonioso, a obra tem um enfoque
historiográfico e procura traçar um painel do
Rio de Janeiro. Trata-se de um dos poucos
registros dos usos e costumes do Brasil nos
primeiros anos do século 18. Com sua bagagem
neoclássica, Debret eternizou as cenas de uma
sociedade barroca e injusta.
Sem o seu trabalho, não haveria imagens
mostrando o sofrimento dos escravos ou como era a
vida da população brasileira nas ruas e até
mesmo em suas casas. Desenhista atento às
questões sociais, o artista conferiu também
dignidade aos índios que retratou.
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