Pintora,
desenhista, ilustradora e cenógrafa,
Djanira da Motta e Silva nasceu em Avaré
(SP) a 20 de junho de 1914, neta de
imigrantes austríacos e de indígenas.
Ainda criança muda-se para Porto União
(SC). Volta a Avaré em 1928, quando vive
entre os cafezais da região. Depois de
mudar-se para São Paulo, adoece e
realiza seu primeiro desenho quando
recebia tratamento para tuberculose no
Sanatório Dória, em Campos do Jordão,
em meados dos anos 30. Estreita seu
contato com a arte ao mudar-se para o Rio
de Janeiro. Instala, em Santa Teresa, a
Pensão Mauá, ponto de encontro de
artistas e intelectuais. Por volta de
1940, passa a ter aulas com Emeric
Marcier e Milton Dacosta, seus hóspedes,
e também freqüenta curso noturno no
Liceu de Artes e Ofícios. Em 1943,
expõe pela primeira vez em uma mostra
individual, na Associação Brasileira de
Imprensa. Entre 1945 e 1947, reside em
Nova York (EUA) onde é influenciada pela
pintura de Pieter Brueghel. Nesta mesma
época, conhece Fernand Léger, Joan
Miró e Marc Chagall. De volta ao Brasil,
realiza o mural Candomblé para a
residência do escritor Jorge Amado, em
Salvador, e painel para o Liceu Municipal
de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Entre
1953 e 1954, viaja a estudo para a União
Soviética (URSS). De volta ao Rio de
Janeiro, torna-se uma das líderes do
movimento pelo Salão Preto e Branco, um
protesto de artistas contra os altos
preços do material para pintura. Realiza
em 1963 o painel de azulejos Santa
Bárbara, com 160 m2, no túnel Catumbi,
Laranjeiras, Rio de Janeiro.
Profundamente religiosa, ingressa na
Ordem Terceira Carmelita, da qual recebe
o hábito com o nome de Irmã Teresa do
Amor Divino. Em 1972 recebe do Vaticano a
Medalha e Diploma da Cruz "Pro
Ecclesia et Pontifice", conferida
pelo Papa Paulo VI. Djanira, aliás, foi
a primeira artista latino-americana
representada com obras no Museu do
Vaticano, para quem ofereceu a tela
"Santana de Pé", por ela
pintada com o braço esquerdo, já que
havia fraturado a clavícula. Entre as
exposições das quais participa,
destacam-se: Salão Nacional de
Belas-Artes, Rio de Janeiro, várias
edições entre 1942 e 1949; Salão
Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro,
várias edições entre 1951 e 1958; 2ª
Bienal de São Paulo, 1953;
Retrospectiva, no Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro, MAM/RJ, em Munique
(Alemanha) e na Galeria de Arte da Folha,
São Paulo, 1958; Arte Moderna
Brasileira, no Museu de Arte Moderna,
Paris (França), 1960; Retrospectiva, no
MNBA, Rio de Janeiro, 1976. Após sua
morte, ocorrida no Rio em 31 de maio de
1979, suas obras figuram nas mostras:
Retrospectiva, no MNBA, Rio de Janeiro,
1985; 100 Obras Itaú, no Museu de Arte
de São Paulo, Masp, 1985; 8º Salão
Nacional de Artes Plásticas - Sala
Especial Salão Preto e Branco, Rio de
Janeiro, 1985; Arte Moderna Brasileira -
Uma Seleção da Coleção Roberto
Marinho, no Masp, 1994; Visões do Rio,
no MAM/RJ, 1996; Coleção Museu de Arte
Moderna da Bahia, no MAM/SP, São Paulo,
1998. Considerada uma das mais
importantes artistas do século 20 no
País, Djanira é, sem dúvida, a mais
autenticamente brasileira de nossas
pintoras, por ter interpretado de maneira
singela e poética a paisagem nacional e
os habitantes e costumes do país.
NASCIMENTO/MORTE 1914 - Avaré SP - 20 de
junho 1979 - Rio de Janeiro RJ - 31 de
maio LOCAIS DE VIDA 1918/1928 - Porto
União (SC) 1939c. - Rio de Janeiro RJ -
Reside no bairro de Santa Teresa, onde
instala uma pensão familiar (Pensão
Mauá) VIDA FAMILIAR 1932c./1942c. -
Casa-se com Bartolomeu Gomes Pereira,
maquinista da Marinha Mercante, que morre
quando seu navio é torpedeado durante a
Segunda Guerra Mundial 1952 - Salvador BA
- Casa-se com José Shaw da Motta e Silva
1937 - São José dos Campos SP - Com
tuberculose pulmonar é internada no
Sanatório Dória - a vida de privações
leva-a a contrair a doença FORMAÇÃO
1940c. - Rio de Janeiro RJ - Aulas com
Emeric Marcier e Milton Dacosta, seus
hóspedes na Pensão Mauá 1940 - Rio de
Janeiro RJ - Curso noturno do Liceu de
Artes e Ofícios 1945c. - EUA e Viena
(Áustria) - Recebe influência do mestre
renascentista Pieter Brueghel, quando
visita alguns museus nos Estados Unidos.
Anos mais tarde, visita o Museu de
Bruegel em Viena VIAGENS 1945/1947 - Nova
York (EUA) - Estudos. Conhece Fernand
Léger, Joan Miró e Marc Chagall, entre
outros 1953/1954 - União Soviética
(URSS) - Estudos ATIVIDADES EM ARTES 1950
- Salvador BA - Realiza o mural
Candomblé para a residência de Jorge
Amado 1951 - Petrópolis RJ - Realiza
painel para o Liceu Municipal de
Petrópolis 1954 - Rio de Janeiro RJ - É
uma das líderes do movimento pelo Salão
Preto e Branco, um protesto de artistas
contra os altos preços do material para
pintura. Membro do júri de seleção e
premiação do 3º Salão Nacional de
Arte Moderna 1958 - Rio de Janeiro RJ -
Realiza o grande painel de azulejos Santa
Bárbara, com 160m2, no túnel Catumbi -
Laranjeiras 1959 - Paris (França) -
Desenha o cartão da tapeçaria
Trabalhadores de Cacau, executado por
Jean Lurçat 1962 - Rio de Janeiro RJ -
Executa uma série de grandes painéis
para os navios recém-adquiridos da
Companhia Costeira de Navegação 1964 -
Rio de Janeiro RJ - Ilustra para 100
bibliófilos a novela Campo Geral, de
Guimarães Rosa 1970 - Júlio Pacela
edita, em tiragem com 100 exemplares, O
Oratório - dez gravuras com texto de
Odílio Costa ATIVIDADES OUTRAS 1954 -
Participa da 1ª Conferência
Latino-Americana da Mulher 1967 - Rio de
Janeiro RJ - Grava depoimento para o
MIS/RJ EXPOSIÇÕES 1942/1949 - Rio de
Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas
Artes - menção honrosa (1943) - medalha
de bronze (1944) e medalha de prata
(1949) 1943 - Rio de Janeiro RJ -
Primeira individual, na ABI 1944 -
Argentina, Uruguai e Chile - 20 Artistas
Brasileiros - Itinerante 1945 -
Washington e Boston (EUA) - Individual,
na Galeria da União Pan-Americana 1945 -
Rio de Janeiro RJ - Individual, no IAB/RJ
1945 - Nova York (EUA) - Individual, na
New School for Social Research 1948 - Rio
de Janeiro RJ - Individual, no MEC 1949 -
Petrópolis RJ - Individual, no Museu
Imperial de Petrópolis. Primeira
exposição de um artista neste museu
1950 - Rio de Janeiro RJ - Salão do
Distrito Federal - medalha de prata 1951
- Rio de Janeiro - Salão de
Naturezas-Mortas - Prêmio IPASE
1951/1955 - São Paulo SP - I e IV Salão
Paulista de Arte Moderna - pequena
medalha de ouro (1951) - prêmio
aquisição (1955) 1951/1958 - Rio de
Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte
Moderna - Prêmio de Viagem ao País
(1952) - Prêmio do Diário de Notícias
(1957) 1953 - São Paulo SP - 2ª Bienal
de São Paulo 1953 - Rio de Janeiro RJ -
5º Salão Municipal de Belas Artes, no
MNBA - medalha de bronze 1954 - Polônia,
Tchecoslováquia e Hungria - Coletiva de
Artistas Brasileiros 1955 - Rio de
Janeiro RJ - Salão de Cristo Negro -
primeiro prêmio de pintura 1956 -
Neuchâtel (Suíça) - Arts Primitifs
Modernes Brésiliens, no Musée
d´Ethnografie de Neuchâtel 1958 - Rio
de Janeiro RJ, Munique (Alemanha) e São
Paulo SP - Retrospectiva, no MAM/RJ, Haus
der Kunst, em Munique, e Galeria de Arte
da Folha, em São Paulo 1958 - Nova York
(EUA) - Guggenheim International Award -
Prêmio Guggenheim 1960 - Rio de Janeiro
RJ - Individual de inauguração da
Galeria Bonino 1960 - Cidade do México
(México) - II Bienal Interamericana do
México - artista convidada 1960 - Paris
(França) - Arte Moderna Brasileira, no
Museu de Arte Moderna 1962 - Rio de
Janeiro RJ - Individual, no MNBA 1963 -
Rio de Janeiro RJ - Primeiro Resumo JB -
medalha de prata 1967 - Rio de Janeiro RJ
- Retrospectiva Mostra Atelier, no MAM/RJ
1976 - Rio de Janeiro RJ - Retrospectiva,
no MNBA 1978 - Viena (Áustria) -
Individual (primeira de Djanira na
Europa)
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