Eva Todor chama-se Eva Todor Nolding. Nascida na
Hungria em 1921, foi filha única de Alexandre e
Gisela. Alexandre era comerciante, mas toda a
família era de doutores; um tio de Eva
dedicou-se ao teatro e quando foi para a América
do Norte escreveu para o cinema entre outros
sucessos, A vida começa aos 40 e
Tampico. Eva acha que essa é a veia
artística que lhe foi doada. Ainda na Hungria,
com apenas quatro anos de idade, seu pai a
matriculou na Opera Real da Hungria. Depois a
família se mudou para o Brasil e foram morar em
São Paulo. Logo Eva começou a estudar balé e,
como a colonia húngara era muito grande, com
oito ou nove anos, a garota era uma coqueluche.
Loura, linda e muito graciosa, foi assim que a
viu o diretor de teatro e cinema, Oduvaldo Viana.
Ele a convidou para uma apresentação no Teatro
Municipal de São Paulo, que foi um sucesso.
Depois a menina foi contratada por Francisco
Serrador, e fazia aparições ao vivo, nos
cinemas, depois das sessões. Era uma atração
máxima. Assim fez em São Paulo, Rio de Janeiro
e Porto Alegre. Já no Rio, para onde a família
se transferiu, Eva Todor foi matriculada no
Teatro Municipal, e foi aluna da famosa
professora Maria Oleneva. Foi na Companhia
Dulcina de Morais que a garota foi fazer teste
para teatro. Teve, porém, uma grande barreira: o
idioma. E, após chorar muito, pois só tinha 12,
13 anos, e ficou desesperada, aceitou participar
de uma burleta, teatro musicado, no
Teatro Recreio. Aí se deu sua estréia como
profissional. Logo conheceu Luiz Iglesias,
escritor de peças teatrais, que se encantou com
a menina. E, após alguma recusa, Eva acabou
gostando dele e casando-se. Estava com catorze
anos de idade. Fez também peças de Cesar
Ladeira, Mario Lago, e todos os jovens escritores
da época. E era sempre sucesso. Mas seu maior
momento foi em Feia de Paulo
Magalhães. Era a Companhia Luiz Iglesias. Um ano
depois já foi instituida a Companhia Eva e
Seus Artistas. Sucesso atrás de sucesso.
Casas cheias sempre. E eva conseguiu lançar
muitos atores, que depois vieram a ser estrelas
nacionais, como Daniel Filho, Herval Rossano,
Jardel Filho, Jorge Dória, Elza Gomes, e muitos
outros. E, naquele tempo os teatros viviam só de
suas bilheterias, não tinham subvenções ou
apoio de ninguém. O casamento de Eva e Luiz
Iglesias foi perfeito por vinte e dois anos,
quando ele veio a falecer. A moça muito sofreu,
mas continuou seu trabalho e dois anos depois
casou-se com o engenheiro químico Paulo Nolding,
que largou tudo para ser seu empresário. Com ele
Eva foi casada vinte e cinco anos, mas ele
também morreu. E mais uma vez Eva Todor ficou
sozinha. Era ainda muito nova, mas não voltou a
se casar ou se envolver com ninguém, agora para
sempre. Sua carreira de eternos sucessos, em que
esteve por vinte anos apenas no Teatro Senador,
no Rio, teve também várias temporadas no
exterior. Eva fez muito sucesso em Portugal, onde
esteve por várias vezes, numa das quais, ficou
quase três anos em cartaz, sempre com casas
lotadas. E para lá Eva Todor levou seu elenco,
tudo por sua conta. Havia, há muito tempo,
criado o gênero Eva Todor, um misto
de graça, música, piada, e muita doçura, que
agradava sempre. Na televisão Eva começou em
1957, quando ainda era casada com Luiz Iglesias,
que para ela criou o seriado Aventuras de
Eva, que aconteceu antes de Alô
Doçura, mas que tinha mais ou menos a
mesma linha. Depois, por orientação de seu
marido Paulo Nolding, fez papéis mais fortes, de
personagens mais velhos. Fez: Ä Carta, fez
Senhora da Boca do Lixo, fez Em
Família, sempre com casas lotadas. E na
televisão, após a TV Tupi, só bem mais tarde
voltou a trabalhar. E isso aconteceu na TV Globo.
Começou em Locomotivas, mas ainda
continuava em teatro. Fez Top Model.
Até que o muito querido diretor geral Boni a
chamou e a registrou como funcionária. Eva ficou
feliz demais, pois estava sozinha, sem marido,
sem filhos, sem ninguém. Agora você é a
nossa Eva, disse-lhe ele. E dali nunca mais
Eva saiu. Faz todos os papéis, em que é
escalada, e quer bem a todos, pois todos a amam
também. Respeito, integridade, profissionalismo,
arte, muita arte, é o que mantém Eva Todor
eternamente no topo do cenário artístico
nacional. Se aos quatro estava num palco, se aos
catorze se casou, agora que é uma mulher madura,
nada se modificou para ela. Sua personalidade a
faz ímpar, empelicada, diferente,
acima do bem e do mal. Ela é a mesma de sempre.
Eva Todor, sua maneira de representar, seu leve
sotaque, sua beleza eterna são, realmente, uma
dádiva divina. E falar com ela é estar por um
instante no céu.
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