A revista italiana de humor "Marc
Aurélio", em Florença, publicou as
primeiras caricaturas assinadas por Federico
Fellini, que, a partir de 1939, fez também
pequenos roteiros e piadas para comediantes. Mas
seu primeiro grande trabalho, em 1945, foi
escrever parte do roteiro de "Roma, Cidade
Aberta", do cienasta Roberto Rossellini,
filme considerado o manifesto do cinema
neo-realista. Fellini participou também do filme
seguinte de Rossellini, "Paisà"
(1946), como co-roteirista e assistente de
direção.
Esse foi o início de sua carreira no cinema,
como co-roteirista e colaborador também dos
diretores Alberto Lattuada e Pietro Germi. Sua
estréia como co-diretor foi ao lado de Lattuada,
em "Mulheres e Luzes" (1950). Em
seguida, fez seu primeiro filme, "Abismo de
um Sonho" (1951), no qual a influência do
realismo já começa a ser substituída pelo
clima de sonho que caracterizou sua obra.
Apesar do início como roteirista, Fellini dizia
ser uma pena passar por palavras o que deveria
saltar de sua imaginação para o filme. Por
isso, gostava de improvisar, de atores não
profissionais e de evitar a rotina de trabalho.
Como Dario Fo, muitas vezes ele também desenhava
as suas cenas antes de escrevê-las.
O primeiro filme polêmico tanto entre católicos
quanto comunistas foi o sucesso "Na Estrada
da Vida" (1954), com sua mulher, a atriz
Giulieta Masina, Anthony Quinn e Richard
Basehart. A obra lhe rendeu o primeiro Oscar de
filme estrangeiro. A segunda estatueta foi por
"As Noites de Cabíria" (1957), e o
terceiro por "Oito e Meio" (1963).
Mas nada o preparou para o sucesso e o escândalo
de "A Doce Vida" (1959). O diário
oficial da Igreja Católica, L'Osservatore
Romano, clamou: "Basta!". Porém, o
filme deu a Fellini a Palma de Ouro em Cannes, em
1960. Além de criticar a ligação entre o
estado e o catolicismo, a obra ficou famosa pelo
desempenho de colaboradores de Fellini: o
compositor Nino Rota, e os atores Marcello
Mastroianni e Anita Ekberg - a cena do banho na
Fontana di Trevi em Roma é um dos ícones do
cinema ocidental.
Poucos autores tiveram um estilo tão
característico. Tanto que, por motivos
mercadológicos, seu nome foi colocado no título
de filmes como "Fellini Satyricon"
(1969), "Roma de Fellini" (1972) e
"Casanova de Fellini" (1976). O diretor
nunca negou ter feito filmes autobiográficos,
mas "Amarcord" (Eu me recordo, em
dialeto), de 1973, é o que mais claramente
resultou como uma mistura de sonhos e
lembranças.
Em o Ensaio de Orquestra (1979), o cineasta fez
uma auto-análise como diretor de pessoas e ao
mesmo tempo reflete sobre a união das várias
províncias italianas, num momento em que o Norte
da Itália falava em separar-se do Sul. Seus
últimos filmes se tornaram cada vez oníricos:
"Cidade das Mulheres" (1980), "E
la Nave Va" (1983), "Ginger e
Fred" (1985) e "A Voz da Lua"
(1990).
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