Fernanda Montenegro é a maior atriz brasileira
da atualidade. E não apenas no teatro. O talento
e o brilho dessa grande intérprete se estendem
às telenovelas e transbordam no cinema, onde
marcou época com Eles não Usam Black-Tie, de
Leon Hirszman, e com Central do Brasil, de Walter
Salles Jr., com o qual venceu o Globo de Ouro e
foi indicada ao Oscar de melhor atriz em 1999.
Além do talento inigualável, seu sucesso
resume-se em outras duas palavras: dedicação e
obstinação. Em 50 anos de carreira, essa grande
dama dos palcos, da televisão e do cinema
brasileiro mantém uma incansável força de
vontade e rigorosa disciplina, como se a arte que
pratica fosse sagrada, impossível de ser posta
de lado e exigindo-lhe cada vez mais atenção.
Nascida no subúrbio carioca, a menina que
cresceu vendo filmes de Chaplin, Laurence
Olivier, Bette Davis, Greta Garbo, Marlene
Dietrich, Cary Grant e Katharine Hepburn começou
a trabalhar aos 15 anos como locutora e
radioatriz da Rádio Ministério da Educação,
no Rio de Janeiro. Já a mulher de olhos grandes,
gestos largos e raciocínio lógico conquistou o
público com a peça Loucuras do Imperador
(1952), de Paulo Magalhães. Trabalhou com
Henriette Morineau, no Teatro Popular de Arte,
dirigido pelo italiano Gianni Ratto; passou pelo
Teatro Brasileiro de Comédia (TBC); foi a
primeira atriz contratada pela TV Tupi
(1951-1953), onde participou de 80 peças e
trabalhou, de 1953 a 1965, no Grande Teatro Tupi,
com mais 170 peças televisivas; montou a
própria companhia, o Teatro dos Sete
(1959-1964), com Sérgio Britto, Ítalo Rossi,
Gianni Ratto, Lucia Petrucelli e seu marido,
Fernando Torres, estreando com O Mambembe, um
sucesso de público; e não parou mais. É
especialmente lembrada em É... (1977), de
Millôr Fernandes, dirigida por Paulo José; As
Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1982), de
Rainer Werner Fassbinder, dirigida por Celso
Nunes; e Dona Doida, um Interlúdio (1990),
dirigida por Naum Alves de Sousa.
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