Em maio de 1964, Deus e o Diabo na Terra do Sol
concorre à Palma de Ouro no XVII Festival do
Filme, em Cannes, perdendo para uma comédia
musical francesa. Recebe, contudo, o Prêmio da
Crítica Mexicana, no Festival Internacional de
Acapulco, México; o Grande Prêmio Festival de
Cinema Livre, na Itália; e o Náiade de Ouro, no
Festival Internacional de Porreta Terme, na
Itália. O diretor: Glauber Andrade Rocha. Idade:
25 anos. A partir desse episódio, o novo
movimento cinematográfico brasileiro, o Cinema
Novo, que revolucionou a linguagem do filme
brasileiro nos anos de 1960, entrou para a
história do cinema mundial. Nascido na cidade de
Vitória da Conquista, na Bahia, Glauber
trabalhou como crítico de cinema em Salvador.
Estreou como diretor com os curtas experimentais
Pátio (1957) e Cruz na Praça (1959). Em 1961,
filmou seu primeiro longa-metragem: Barravento. O
filme, tendo o mar, a dança, as cerimônias e os
sacrifícios rituais como elementos da narrativa,
conta a história de um grupo de pescadores
baianos. Ganhou uma célebre crítica de Alberto
Moravia, no jornal L'Expresso (1963):
"Trata-se de um dos mais belos filmes que
temos visto atualmente (...) Particularmente, o
que mais me impressiona no filme de Glauber Rocha
é o fato de que a magia não é representada
como um fenômeno folclórico, mas como uma
tentação, uma insídia, um fascínio e um
desejo de retrocesso e anulação. Esse é um
fato da consciência e, como tal, uma realidade
histórica". Em 1964, surgiu Deus e o Diabo
na Terra do Sol; baseado na literatura de cordel,
retrata a pobreza e o fanatismo do povo
nordestino. O filme seguinte, Terra em Transe
(1967), que trata dos conflitos políticos, da
violenta disputa pelo poder, da miséria e do
subdesenvolvimento num país chamado Eldorado,
conquistou reconhecimento e prêmio da crítica
no XX Festival de Cannes. Seu terceiro
longa-metragem, O Dragão da Maldade contra o
Santo Guerreiro (1969), inspirado no folclore e
no misticismo do sertanejo, conquistou o prêmio
de direção no XXI Festival de Cannes. A Idade
da Terra (1980) foi apresentado na Mostra
Internacional de Cinema de Veneza, provocando
polêmica. Nas palavras do diretor italiano
Michelangelo Antonioni, o filme é uma lição de
como se deve construir o cinema moderno.
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