Primeira mulher a ocupar a presidência de um
país na América Latina, María Estela Martínez
de Perón, conhecida por seu pseudônimo
artístico como Isabel, nasceu em La Rioja, em 4
de fevereiro de 1931. Filha de María Josefa
Cartas e Carmelo Martínez, funcionário do Banco
Hipotecário, teve uma infância tranqüila,
pertencente a uma família de classe média.
Os seus estudos foram realizados em Buenos Aires,
onde também teve aulas de dança no Teatro
Cervantes, que eram complementadas com lições
de piano e francês. Logo que concluiu os
estudos, decide participar de uma companhia de
teatro. Aos 23 anos, inicia uma turnê por
vários países latino-americanos, onde acaba
ficando mais tempo que o previsto, por causa do
sucesso das apresentações do grupo.
Em 23 de dezembro de 1955, no Hotel Washington,
no Panamá, teve seu primeiro encontro com o
general Juan Domingo Perón, que estava no
exílio. Existem várias versões sobre o
primeiro encontro entre ambos. A versão oficial
diz que Isabel se ofereceu para ser secretária
particular do ex-presidente, que estava
necessitando de uma pessoa que prestasse este
serviço. Outra versão diz que, após ver um
espetáculo em que ela atuava, foi conhecê-la
através de um amigo em comum. Cinco anos depois,
no dia 5 de janeiro de 61, os dois se casaram em
Madri.
Durante o período em que Perón ficou exilado na
Espanha, sua mulher visitou a Argentina várias
vezes em busca de apoio político para a volta do
marido ao seu país. Finalmente, no dia 17 de
novembro de 1972, Isabel Perón acompanhou o
retorno triunfal do general Perón para a
Argentina. Em 73, surgiu a dobradinha
Perón-Perón para disputar o governo Argentino
_Juan Domingo como candidato à Presidência, e
Isabelita, para vice.
Com mais de 60% dos votos, Perón derrotou os
seus adversários e voltou para a Casa Rosada,
sede do governo argentino. Como vice, Isabel
Perón assumiu várias vezes a administração do
país, substituindo o marido, que já apresentava
muitos problemas de saúde.
Em 1° de julho de 1974, Isabel Perón assumiu
definitivamente o poder, com a morte do general.
Na Presidência da República, ampliou o poder
dos políticos conservadores do seu partido, o
Justicialista. Revoltados, grupos comandados por
guerrilheiros passaram a lutar contra o governo,
o que provocou uma desestabilização ainda maior
em sua administração.
Seu governo herdou problemas inflacionários,
greves de trabalhadores e uma acirrada violência
política. Ao perceber que perderia o controle da
situação, Isabel Perón impôs o "estado
de sítio" na Argentina em novembro de 74.
Nesta época, também fez uma reforma geral em
seu ministério e imprimiu novos títulos para o
pagamento da dívida externa, que não parava de
crescer.
Dentro deste caos político e social, alguns
militares recomendaram a sua renúncia, mas a
presidente simplesmente não cogitou deixar o
governo. Com a crise tomando rumos
desproporcionais, foi afastada por um golpe no
dia 24 de março de 1976, quando foi detida em
sua casa, por oficiais da Força Aérea.
Isabelita Perón foi deposta por uma junta
militar comandada pelo general Jorge Rafael
Videla, que decretou a sua prisão.
Depois de cinco anos de detenção, a
ex-presidente foi condenada, no começo de 1981
por corrupção. Em julho do mesmo ano, Isabel
Perón foi libertada e, em seguida, a última
mulher do general Juan Domingo Perón deixou a
Argentina e foi morar na Espanha.
Discreta, escolheu um bairro elegante de Madri
para viver e permanecer afastada da política que
fez parte por mais de 40 anos da sua vida. Em
1983, recebeu o indulto do governo argentino e
voltou a se filiar ao Partido Justicialista,
apesar de nunca mais disputar um cargo eletivo.
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