José Lewgoy nasceu no interior do Rio Grande do
Sul, filho de Isaac, nascido na Russia e de
Esther, nascida em Nova York. O casal teve
vários filhos nascidos nos Estados Unidos, mas
José Lewgoy nasceu no Brasil. Sua infância foi
muito feliz. Estudou no Porto Alegre College, e
sempre teve facilidade no aprendizado de
línguas. Diplomou-se pela Faculdade de Ciências
Político-Econômicas do Rio Grande do Sul, mas
não se interessou pela profissão. Como conhecia
muitos idiomas, foi à Editora Globo e ali
conheceu o Dr. Roberto Marinho. Conseguiu emprego
como tradutor. Ao mesmo tempo ele e outros amigos
fundaram o Teatro do Estudante do Rio Grande do
Sul. Fez vários amigos, entre os quais Mário
Quintana. Comprava livros e foi formando uma
preciosa biblioteca. Participou da peça: "O
viajante sem bagagem" e o Adido Cultural
Americano assistiu a peça e convidou o jovem
para uma bolsa de estudos nos Estados Unidos.
Quem intermediou a negociação foi o escritor
Érico Veríssimo. E assim o rapaz foi estudar na
Universidade de Yale. Lá permaneceu três anos.
Quando voltou decepcionou-se com o teatro que se
fazia aqui, onde Ziembiensky reinava, o que não
o agradou. Quem o apadrinhou no Brasil foi Tomaz
Santa Rosa, e José Lewgoy passou a lecionar no
Serviço Nacional de Teatro. Em seguida começou
a fazer teatro com Tônia Carrero, no filme
chamado "Perdida pela paixão", e em
seguida "Carnaval de fogo". Foi esse
filme que iniciou a famosa fase das
"Chanchadas da Atlantica", em que
brilhavam Oscarito, Otelo, Anselmo, Liliane e
José Lewgoy. Ali começou ele sua carreira em
cinema, onde fez cento e tantos filmes, no Brasil
e em países estrangeiros. Ficou morando na
França e ali trabalhou com o grande
documentarista George Rougier. Fez também filmes
com George Marshall, Louis Jourdan, e inúmeros
astros de primeira grandeza. Morou ainda em
Genebra, na Suíça; em Amsterdã, na Holanda; em
Roma, na Itália; em Londres na Inglaterra, mas
sua sede mesmo foi Paris, onde ficou por dez
anos. Quando voltou ao Brasil, trabalhou no
"Pasquim", ao lado de Jaguar, Ziraldo,
Millôr Fernandes. Foi nessa volta ao Brasil que
ingressou na televisão. Começou como
apresentador do "Jornal de Vanguarda",
que era feito por Fernando Barbosa Lima, na TV
Excelsior. Deixou por um tempo o teatro, e se
dedicou mais à televisão. Fez a novela: "O
bofe", depois "Cavalo de aço", na
TV Globo. Depois foi para a TV Tupi, onde fez
"Divinas e maravilhosas", mas acabou
voltando para a Globo, onde participou de mais de
vinte novelas, sendo a principal: "Dancing
Days". Continuou, porém, em teatro e em
cinema, onde participou, entre outros, do filme
" O Quatrilho", com Fabio Barreto. No
ano de 1999 está participando, com muito prazer,
segundo ele, da novela "Força de um
desejo", na Globo. José Lewgoy ganhou
muitos prêmios e isso o deixa cheio de orgulho.
Apenas do que se queixa, é do não
reconhecimento oficial, pois para ele, em todos
os lugares do mundo onde esteve, seu nome sempre
recebeu o respeito e o destaque que merece. E no
Brasil isso não acontece, em qualquer centro
artístico. Embora não tenha se casado, José
Lewgoy é apegado à família, que é numerosa.
Tem irmãos e sobrinhos e se reúne a eles em
Porto Alegre, sempre que pode. É ali que
realmente se sente feliz. E ele se define como
"um bom sujeito, mas que às vezes é
irascível e rabugento". Esse é o grande
ator José Lewgoy, que tem amigos em Paris, em
Portugal, na Itália, nos Estados Unidos e
também no Japão, pois ele é realmente um
cidadão do mundo. Com vinte novelas, mais de cem
filmes e inúmeras peças de teatro, é
verdadeira personalidade o ator José Lewgoy, que
fez questão que não errem a pronúncia de seu
nome que ele soletra: : L-e-w-g-o-y.
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