Julio Medaglia é maestro. Em menino tinha o
apelido de "Periquito", pois nasceu em
São Paulo, perto do Clube Palmeiras, que sempre
foi sua paixão. A data de seu nascimento é 06
de abril de 1938. De família pobre, o pai era
ferroviário da S.P.R. e a mãe dona de casa.
Nunca pensou-se que o jovenzinho pudesse ser
músico. Mas foi uma amiga que conseguiu um
instrumento musical, um violino, e ali o menino
foi começando sozinho, tirar os primeiros sons.
Começou a se enturmar com músicos amadores,
ligados ao Clube Palmeiras. Na verdade, a mãe,
ainda que sendo uma mulher simples, gostava de
rádio, onde ouvia novelas e músicas e o filho a
acompanhava. Diz Julio Medaglia, que considerava
o rádio da época, muito rico e refinado, no que
diz respeito à música. A sonoplastia dos
seriados e das novelas era pautada em autores
clássicos da mais elevada categoria. E isso
influenciou o garoto, que logo que pode, começou
a tocar em outros Conservatórios, tendo ganho
uma bolsa que o levou à Bahia, onde conheceu o
gênio, Edgar Bastos, reitor da Universidade
baiana. Para lá foram o Prof. Koelbeulter, Lanka
Rudska, Gianni Rato, e artistas de várias
áreas. Ali se organizou uma Orquestra
Sinfônica, onde Julio Medaglia se engajou.
Ganhava um pequeno salário. Em seguida, porque
já estudava música, fez também o curso para
Maestro. E então conseguiu uma bolsa de estudos
na Alemanha. Estava selada a carreira de Julio
Medaglia. Estava com cerca de 20 anos e a bolsa
era muito pequena, mas, como já tinha estado na
TV Excelsior, onde fizera amizade com Álvaro de
Moya, conseguiu passagem pela Panair e mandou-se
para Freiburg. E lá estudou regência para
valer, na Escola Superior de Música. Logo passou
a ser músico internacional. Estando na Europa,
percorreu vários países, ora estudando, ora
regendo. Alguns anos depois, voltou para o Brasil
e foi aí que colaborou para o lançamento do
Movimento Tropicalista, ao lado de Caetano
Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto. Voltou
novamente à Alemanha, quando se casou com
Sabine, com quem vive até hoje. Ligou-se muito
à cidade de Baden-Baden, que fica às margens do
Reno, e onde há figuras da mais alta cultura
musical. Em 75 voltou para o Brasil, convidado
pela TV Globo. Então assim, sempre ligado à
música, esteve várias vezes nas emissoras de
televisão brasileira. Foi regente titular da
Sinfônica Municipal de São Paulo e Diretor do
Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Hoje, ainda
que vá constantemente à Europa, é o regente da
Orquestra Sinfônica Amazonas, que ele organizou
e que é sua paixão do momento, e que tem sua
sede em Manaus, abrigando músicos do mundo
inteiro. É no meio da floresta amazônica, que
Julio Medaglia vive agora um momento radiante de
sua vida.
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