"A todos os homens de boa vontade incumbe a
imensa tarefa de restaurar as relações de
convivência humana na base da verdade, justiça,
caridade e liberdade: as relações das pessoas
entre si, as relações das pessoas com as suas
respectivas comunidades políticas, e as dessas
comunidades entre si, bem como o relacionamento
de pessoas, famílias, organismos intermédios e
comunidades políticas com a comunidade mundial.
Tarefa nobilíssima, a de realizar a verdadeira
paz, segundo a ordem estabelecida por Deus."
Este é um trecho da encíclica "Pacem in
Terris", que João 23 , conhecido como o
"bom Papa", dirigiu a todos os homens
de boa vontade.
Filho de camponeses, Angelo Giuseppe Roncalli foi
o quarto de treze irmãos. Desde cedo demonstrou
vocação religiosa e aos 11 anos ingressou no
Seminário de Bérgamo, onde cursou até o
segundo ano de teologia. Lá redigiu seus
primeiros textos religiosos, depois publicados
como "Diários da Alma".
Em 1896, Angelo Giuseppe foi admitido na ordem
dos franciscanos, professando seus votos no ano
seguinte. Com uma bolsa de estudos da diocese de
Bérgamo, estudou no Pontifício Seminário
Romano.
Em 1904 foi ordenado sacerdote em Roma. No ano
seguinte, tornou-se secretário do bispo Giacomo
Maria Tedeschi, em Bérgamo. Exerceu, entre
outras funções, a de professor de patrística e
redator de periódicos católicos.
Em 1915, com a entrada da Itália na Primeira
Guerra Mundial, Roncalli foi chamado para exercer
as funções de inspetor sanitário e capelão.
Com o fim da guerra, foi nomeado diretor
espiritual do Seminário de Bérgamo.
Por indicação do papa Bento 15, foi chamado
para presidir o Conselho das Obras Pontificiais
para Propagação da Fé. Passou a percorrer
várias dioceses da Itália, formando conselhos
missionários. Em 1925, foi ordenado bispo, e
iniciou sua missão na Bulgária, onde atuou
durante dez anos, divulgando a fé católica e
coordenando as ações da igreja naquele país.
Em 1935 foi nomeado delegado apostólico na
Turquia e na Grécia, demonstrando grande
habilidade política e vocação humanitária, ao
lidar com uma realidade social complexa, e com a
presença de grupos religiosos como muçulmanos e
ortodoxos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Igreja
Católica, sob a autoridade de Roncalli, teve uma
atuação importante na Grécia. Em 1944, o bispo
Roncalli tornou-se núncio apostólico em Paris.
Ajudou a reorganizar a igreja e realizou uma
ação pastoral de grande envergadura na França.
Finalmente, Roncalli foi eleito cardeal e enviado
como patriarca a Veneza, em 1953. Cinco anos mais
tarde, com a morte do Papa Pio 12, foi eleito
sumo pontífice, assumindo o nome de João 23.
Realizou um ministério de grande popularidade,
marcado pela simplicidade, pelo esforço de
evangelização e pela busca da tolerância e da
paz.
Publicou duas encíclicas importantes,
"Pacem in Terris", e "Mater et
Magister" e convocou o concílio ecumênico
Vaticano 2o, 90 anos depois da convocação do
primeiro concílio.
A passagem de João 23 pela Santa Sé acarretou
profundas mudanças na concepção de uma nova
Igreja católica, mais próxima dos fiéis, mais
ecumênica e menos centralizada na autoridade
papal.
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