Obstinado por uma única causa, a Abolição da
Escravatura, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de
Araújo foi uma das figuras mais importantes para
o fim da escravidão no país. Dizia: "Como
vê, sou um homem de uma só idéia, mas não me
envergonho dessa estreiteza mental porque essa
idéia é o centro e a circunferência do
progresso brasileiro". De família vinculada
à aristocracia açucareira do Nordeste, passou a
infância em um engenho, no interior de
Pernambuco. Formado pela Faculdade de Direito do
Recife, aos 27 anos partiu como adido para
Londres, depois para Washington. Encantado com o
espírito inglês, a monarquia constitucional,
parlamentarista, ficaria sendo para ele a mais
alta forma de governo. Retornando ao Brasil,
elegeu-se deputado pela Província de Pernambuco
(1878). Com grande independência diante do
governo e de todos os partidos, incluindo o seu,
o Liberal, iniciou campanha contra a política
migratória dos governos, em defesa da liberdade
religiosa e do sufrágio direto e universal e,
sobretudo, do Abolicionismo. Fundou, em 1880, a
Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, que
incentivava a propaganda e a agremiação dos
abolicionistas. Retornou, em 1881, à cidade
londrina como correspondente do Jornal do
Comércio. Escreveu e publicou na capital inglesa
O Abolicionista (1883). De volta ao Brasil em
1884, mergulhou de corpo e alma na luta
política. Reeleito deputado por Pernambuco em
1885, 1887 e 1889, tornou-se o principal líder
abolicionista na Câmara: defendeu a Lei dos
Sexagenários; conseguiu uma audiência
particular com o papa Leão XIII, influenciando-o
na elaboração de uma encíclica contra a
escravidão; e contribuiu para a aprovação da
Lei Áurea, de 1888. Paralelamente, fez campanha
em prol de uma monarquia federativa e popular.
Com a Proclamação da República (15 novembro de
1889), intransigente nas convicções
monarquistas, afastou-se da política,
dedicando-se ao jornalismo e às letras. Escreveu
nessa época seus mais prodigiosos livros: Um
Estadista do Império (três volumes: 1897, 1898
e 1899) e Minha Formação (1900). Foi
redator-chefe do Jornal do Brasil e, cedendo aos
apelos da nova política, defendeu o Brasil na
questão de limites com a Guiana Inglesa, chefiou
a Embaixada Brasileira em Londres (1900) e foi
nomeado embaixador em Washington, ocupando o
cargo de 1905 até sua morte, em 1910.
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