Jorge Amado, jornalista, romancista e
memorialista, nasceu no dia 10 de agosto
de 1912 na Fazenda Auricídia, em
Ferradas, Itabuna, BA. Eleito em 6 de
abril de 1961 para a Cadeira n. 23, na
sucessão de Otávio Mangabeira, foi
recebido em 17 de julho de 1961 pelo
acadêmico R. Magalhães Júnior. Filho
do Cel. João Amado de Faria e de D.
Eulália Leal Amado. Com um ano de idade,
foi para Ilhéus, onde passou a infância
e aprendeu as primeiras letras. Cursou o
secundário no Colégio Antônio Vieira e
no Ginásio Ipiranga, em Salvador -
cidade que costuma chamar Bahia - onde
viveu, livre e misturado com o povo, os
anos da adolescência, tomando
conhecimento da vida popular que iria
marcar fundamentalmente sua obra de
romancista. Fez os estudos
universitários no Rio de Janeiro, na
Faculdade de Direito, pela qual é
bacharel em Ciências Jurídicas e
Sociais (1935), não tendo, no entanto,
jamais exercido a advocacia. Aos 14 anos,
na Bahia, começou a trabalhar em jornais
e a participar da vida literária, sendo
um dos fundadores da Academia dos
Rebeldes, grupo de jovens que, juntamente
com os do "Arco & Flecha" e
do "Samba", desempenhou
importante papel na renovação das
letras baianas. Comandados por Pinheiro
Viegas, figuraram na Academia dos
Rebeldes, além de Jorge Amado, os
escritores João Cordeiro, Dias da Costa,
Alves Ribeiro, Edison Carneiro,
Sosígenes Costa, Válter da Silveira,
Áidano do Couto Ferraz e Clóvis Amorim.
Foi casado com Zélia Gattai - autora de
Anarquistas, graças a Deus (1979), Um
chapéu para viagem (1982), Senhora dona
do baile (1984), Jardim de inverno
(1988), Pipistrelo das mil cores (1989) e
O segredo da Rua 18 (1991) - tem dois
filhos: João Jorge, sociólogo e autor
de peças para teatro infantil, e Paloma,
psicóloga, casada com o arquiteto Pedro
Costa. É irmão do médico neuropediatra
Joelson Amado e do escritor James Amado.
Em 1945, foi eleito deputado federal pelo
Estado de São Paulo, tendo participado
da Assembléia Constituinte de 1946 (pelo
Partido Comunista Brasileiro) e da
primeira Câmara Federal após o Estado
Novo, sendo responsável por várias leis
que beneficiaram a cultura. Viajou pelo
mundo todo. Viveu exilado na Argentina e
no Uruguai (1941-42), em Paris (1948-50)
e em Praga (1951-52). Escritor
profissional, viveu exclusivamente dos
direitos autorais de seus livros. Recebeu
no estrangeiro os seguintes prêmios:
Prêmio Internacional Lênin (Moscou,
1951); Prêmio de Latinidade (Paris,
1971); Prêmio do Instituto
Ítalo-Latino-Americano (Roma, 1976);
Prêmio Risit d'Aur (Udine, Itália,
1984); Prêmio Moinho, Itália (1984);
Prêmio Dimitrof de Literatura, Sofia -
Bulgária (1986); Prêmio Pablo Neruda,
Associação de Escritores Soviéticos,
Moscou (1989); Prêmio Mundial Cino Del
Duca da Fundação Simone e Cino Del Duca
(1990); e Prêmio Camões (1995). No
Brasil: Prêmio Nacional de Romance do
Instituto Nacional do Livro (1959);
Prêmio Graça Aranha (1959); Prêmio
Paula Brito (1959); Prêmio Jabuti (1959
e 1970); Prêmio Luísa Cláudio de
Sousa, do Pen Club do Brasil (1959);
Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1959);
Troféu Intelectual do Ano (1970);
Prêmio Fernando Chinaglia, Rio de
Janeiro (1982); Prêmio Nestlé de
Literatura, São Paulo (1982); Prêmio
Brasília de Literatura - Conjunto de
Obras (1982); Prêmio Moinho Santista de
Literatura (1984); prêmio BNB de
Literatura (1985). Recebeu também
diversos títulos honoríficos, nacionais
e estrangeiros, entre os quais:
Comendador da Ordem Andrés Bello,
Venezuela (1977); Commandeur de l'Ordre
des Arts et des Lettres, da França
(1979); Commandeur de la Légion
d'Honneur (1984); Doutor Honoris Causa
pela Universidade Federal da Bahia (1980)
e do Ceará (1981); Doutor Honoris Causa
pela Universidade Degli Studi de Bari,
Itália (1980) e pela Universidade de
Lumière Lyon II, França (1987). Grão
Mestre da Ordem do Rio Branco (1985) e
Comendador da Ordem do Congresso
Nacional, Brasília (1986). Foi membro
correspondente da Academia de Ciências e
Letras da República Democrática da
Alemanha; da Academia das Ciências de
Lisboa; da Academia Paulista de Letras; e
membro especial da Academia de Letras da
Bahia. Obá do Axê do Opó Afonjá, na
Bahia, onde viveu, cercado de carinho e
admiração de todas as classes sociais e
intelectuais. Exerceu atividades
jornalísticas desde bem jovem quando
ingressou como repórter no Diário da
Bahia (1927-29), época em que também
escrevia na revista literária baiana A
Luva. Depois, no Sul, atuou sempre na
imprensa, tendo sido redator-chefe da
revista carioca Dom Casmurro (1939) e
colaborador, no exílio (1941-42), em
periódicos portenhos - La Crítica, Sud
e outros. Retornando à pátria, redigiu
a seção "Hora da Guerra", no
jornal O Imparcial (1943-44), em
Salvador, e, mudando-se para São Paulo,
dirigiu o diário Hoje (1945). Anos
após, participou, no Rio, da direção
do semanário Para Todos (1956-58).
Estreou na literatura em 1930, com a
publicação, por uma editora do Rio, da
novela Lenita, escrita em colaboração
com Dias da Costa e Édison Carneiro. Os
seus livros, que ao longo de 36 anos (de
1941 a 1977) foram editados pela Livraria
Martins Editora, de São Paulo,
integraram a coleção Obras Ilustradas
de Jorge Amado. Atualmente, as obras de
Jorge Amado são editadas pela
Distribuidora Record, do Rio. Publicados
em 52 países, seus livros foram
traduzidos para 48 idiomas e dialetos, a
saber: albanês, alemão, árabe,
armênio, azerbaijano, búlgaro,
catalão, chinês, coreano, croata,
dinamarquês, eslovaco, esloveno,
espanhol, esperanto, estoniano,
finlandês, francês, galego, georgiano,
grego, guarani, hebreu, holandês,
húngaro, iídiche, inglês, islandês,
italiano, japonês, letão, lituano,
macedônio, moldávio, mongol,
norueguês, persa, polonês, romeno,
russo (também três em braile), sérvio,
sueco, tailandês, tcheco, turco,
turcomano, ucraniano e vietnamita. Teve
livros adaptados para o cinema, o teatro,
o rádio, a televisão, bem como para
histórias em quadrinhos, não só no
Brasil mas também em Portugal, na
França, na Argentina, na Suécia, na
Alemanha, na Polônia, na
Tcheco-Eslováquia, na Itália e nos
Estados Unidos. Obras: O país do
carnaval, romance (1931); Cacau, romance
(1933); Suor, romance (1934); Jubiabá,
romance (1935); Mar morto, romance
(1936); Capitães de areia, romance
(1937); A estrada do mar, poesia (1938);
ABC de Castro Alves, biografia (1941); O
cavaleiro da esperança, biografia
(1942); Terras do sem fim, romance
(1943); São Jorge dos Ilhéus, romance
(1944); Bahia de Todos os Santos, guia
(1945); Seara vermelha, romance (1946); O
amor do soldado, teatro (1947); O mundo
da paz, viagens (1951); Os subterrâneos
da liberdade, romance (1954); Gabriela,
cravo e canela, romance (1958); A morte e
a morte de Quincas Berro d'Água, romance
(1961); Os velhos marinheiros ou o
Capitão de longo curso, romance (1961);
Os pastores da noite, romance (1964);
Dona Flor e seus dois maridos, romance
(1966); Tenda dos milagres, romance
(1969); Teresa Batista cansada de guerra,
romance (1972); O gato Malhado e a
andorinha Sinhá, historieta (1976);
Tieta do Agreste, romance (1977); Farda,
fardão, camisola de dormir, romance
(1979); Do recente milagre dos pássaros,
conto (1979); O menino grapiúna,
memórias (1982); A bola e o goleiro,
literatura infantil (1984); Tocaia
grande, romance (1984); O sumiço da
santa, romance (1988); Navegação de
cabotagem, memórias (1992). Em 1995
iniciou-se o processo de revisão de sua
obra por sua filha Paloma e os livros
ganharam novo projeto gráfico. Suas
obras mais recentes foram "A
descoberta da América pelos
turcos", de 1994, e o livro-conto
"O milagre dos pássaros", de
1997. Faleceu no dia 06 de agosto de 2001
em Salvador, Bahia. Foi cremado, a seu
pedido, e suas cinzas foram colocadas ao
pé de uma mangueira em sua casa.
|