"Premero de tudo, querendo Deus, Justiça!
Juiz e delegado que não fizer justiça só tem
um jeito: passar ele na espingarda! (...) Vem
logo as estradas para automóvel e caminhão!
(...) O Governo só faz estrada pra botar persiga
em cima de mim. Mas eu fazia estrada para o
progresso do sertão. Sem estrada não pode ter
adiantamento, fica tudo no atraso. (...) Vem
depois as escolas e eu obrigava todo mundo a
aprender, querendo Deus. (...) Botava, também,
muito doutor (médico) para cuidar da saúde do
povo. (...) Para completar tudo, auxiliava o
pessoal do campo, o agricultor e o criador, para
ter as coisas mais barato, querendo Deus."
(Frederico Bezerra Maciel, em Lampião, seu Tempo
e seu Reinado.) Esta foi a conversa entre
Lampião, que pretendia ser governador do
sertão, e seu refém Pedro Paulo Magalhães
Dias, inspetor da Standar Oil Company, que ficou
surpreso com seu conhecimento da situação
política da região. Misto de bandido e
justiceiro, assassino e herói, Virgolino
Ferreira da Silva, nascido na fazenda Ingazeira,
no municipio de Vila Bela (atual serra Talhada),
em Pernambuco, foi o mais famoso cangaceiro do
sertão nordestino, fascinando milhares de
pessoas. Habitante da caatinga, grande
estrategista militar e ótimo atirador, Lampião
foi para o cangaço aos 21 anos, disposto a fazer
justiça pessoalmente depois que sua família
fora perseguida e seu pai morto por coronéis, em
Água Branca, no Estado de Alagoas. Em suas
andanças pelos Estados de Pernambuco, Paraíba,
Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e
Sergipe, lutou contra as injustiças e o poder
dos coronéis latifundiários, mas semeou o
terror e implantou o banditismo como profissão.
Recusou-se a combater a Coluna Prestes, em 1926,
mesmo recebendo do governo a patente de capitão
honorário das forças legais, além de armamento
e munição. Conheceu Maria Bonita, que abandonou
o marido sapateiro para acompanhar Lampião no
cangaço. Em 1938, Lampião, Maria Bonita e 11
cangaceiros de seu bando, não mais que 50
pessoas, foram mortos numa emboscada na fazenda
Angicos, em Sergipe. Suas cabeças foram
decepadas e expostas ao público em uma vila da
região.
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