Uma entrevista histórica ao semanário
"Pasquim", em 1969, Leila Diniz disse:
"Você pode amar muito uma pessoa e ir para
a cama com outra. Já aconteceu comigo".
Para a moral da época, foi algo revolucionário.
Jovem, alegre e bonita, Leila falava de sua vida
sem constrangimento algum. Os trechos com
palavrões na entrevista foram substituídos por
asteriscos.
A ditadura militar que vigorava no Brasil de
então reagiu prontamente às afirmações da
atriz e decretou a censura prévia no jornal.
Leila atraiu também a indignação nas
feministas, em pé de guerra naqueles anos, que a
acusaram de servir aos homens.
Alegando razões morais, a TV Globo não renovou
contrato com a atriz. O apresentador Flávio
Cavalcanti, da TV Tupi, a empregou então como
jurada em seu programa de auditório, em1970, e a
escondeu da polícia política.
Aos 15 anos, Leila trabalhou como professora,
ensinando crianças do maternal e jardim de
infância. Desde aquele primeiro emprego queria
mudar a maneira como as coisas eram feitas. Por
exemplo, aboliu a sua mesa para ficar sempre
entre os alunos.
Em 1961, com 17 anos, se apaixonou pelo cineasta
Domingos de Oliveira, com quem viveu até os 21
anos. Estreou como atriz dirigida pelo marido, na
peça infantil "Em Busca do Tesouro".
No ano seguinte, foi corista em um show de Carlos
Machado. Em 1964, contracenou com Cacilda Becker
em "O preço de um homem".
No ano seguinte, iniciou a carreira na televisão
em papéis menores até ganhar papéis em
"Eu compro essa mulher" e "O Sheik
de Agadir", ambas escritas por Glória
Magadan. No total, fez 12 novelas na TV Globo, TV
Excelsior e TV Tupi. Fez também publicidade de
refrigerantes, sabonetes e creme dental.
Leila foi dirigida pelo ex-marido em dois filmes.
O primeiro deles, "Todas as mulheres do
mundo", incorporou histórias da vida em
comum do casal, e, em 1967, "Edu, Coração
de Ouro", história de um malandro carioca
classe média estrelado por Paulo José.
Baseado no romance de Antônio Callado,
"Madona de Cedro", foi um de seus
melhores momentos, sob a direção de Carlos
Coimbra. Entre papéis de protagonista,
coadjuvante e participações especiais, Leila
atuou em 14 filmes. Em 1968, foi à Alemanha
representar "Fome de amor", de Nelson
Pereira dos Santos, no Festival de Berlim.
Leila reabilitou o teatro de revista com uma
curta carreira de vedete no espetáculo "Tem
Banana na Banda", improvisando a partir dos
textos de Millôr Fernandes, Luiz Carlos Maciel,
José Wilker e Oduvaldo Viana Filho. Em 1971,
casou-se com o diretor de cinema Rui Guerra, pai
de sua filha Janaína. É eleita a Grávida do
Ano no programa do Chacrinha.
Leila Diniz quebrou tabus de uma época em que a
repressão dominava o Brasil. Escandalizou a
tradicional família brasileira ao exibir a sua
gravidez de oito meses, na praia de biquíni e ao
amamentar a filha Janaína diante das câmeras.
Defensora do amor livre e do prazer sexual,
irritou feministas tradicionais e se tornou
símbolo da liberação feminina dos anos 1960 e
1970.
Morreu em 1972, em um acidente de avião na
Índia, no auge de sua fama. Voltava de um
festival de cinema na Austrália, onde ganhara o
prêmio de melhor atriz com o filme "Mãos
vazias".
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