Antônio Gonçalves da Silva foi
poeta popular e cantador repentista de viola
nordestino nascido em Serra de Santana, pequena
propriedade rural, no município e a três
léguas da cidade de Assaré, no Sul do Ceará,
um dos maiores poetas populares do Brasil,
retratista do árido universo da caatinga
nordestina cuja obra foi registrada em folhetos
de cordel, discos e livros. Foi o segundo filho
do modesto casal de agricultores Pedro Gonçalves
da Silva e Maria Pereira da Silva. Perdeu a vista
direita, no período da dentição (1913), em
conseqüência de uma moléstia vulgarmente
conhecida por Dor-d'olhos. Aos oito anos, ficou
órfão de pai e teve que trabalhar ao lado de
meu irmão mais velho, para sustentar os mais
novos. Aos doze anos, freqüentou durante quatro
meses sua primeira e única escola, onde, sem
interromper o trabalho de agricultor e quase como
um autodidadata, aprendeu a ler e escrever e se
tornou apaixonado pela poesia. De treze para
quatorze anos começou a fazer seus primeiros
versinhos que serviam de graça para os vizinhos
e conhecidos, pois o sentido de tais versos eram
brincadeiras de noite de São João, testamentos
do Judas, gozação aos preguiçosos etc. Com 16
anos de idade, comprou uma viola e começou a
cantar de improviso. Aos 20 anos de idade viajou
para o Pará em companhia de um parente José
Alexandre Montoril, que lá morava, onde passou
cinco meses fazendo grande sucesso como cantador.
De volta ao Ceará, regressou à Serra de
Santana, onde continuou na mesma vida de pobre
agricultor e cantador. Casou-se com uma parenta,
D. Belinha, com quem se tornou pai de nove
filhos. Sua projeção em todo o Brasil se
iniciou a partir da gravação de Triste Partida
(1964), toada de retirante de sua autoria gravada
por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Teve inúmeros
folhetos de cordel e poemas publicados em
revistas e jornais e publicou Inspiração
Nordestina (1956), Cantos de Patativa (1966).
Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados
em Patativa do Assaré (1970). Gravou seu
primeiro LP Poemas e Canções (1979) uma
produção do cantor e compositor cearense
Fagner. Apresentou-se com o cantor Fagner no
Festival de Verão do Guarujá (1981), período
em que gravou seu segundo LP A Terra é Naturá,
lançado também pela CBS. A política também
foi tema da obra e de sua vida. Durante o regime
militar, ele condenava os militares e chegou a
ser perseguido. Participou da campanha das
Diretas-Já (1984) e publicou o poema Inleição
Direta 84. No Ceará, sempre apoiou o governo de
Tasso Jereissati (PSDB), a quem chamava de amigo.
Ao completar 85 anos foi homenageado com o LP
Patativa do Assaré - 85 Anos de Poesia (1994),
com participação das duplas de repentistas
Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio e Otacílio
Batista e Oliveira de Panelas. Tido como
fenômeno da poesia popular nordestina, com sua
versificação límpida sobre temas como o homem
sertanejo e a luta pela vida, seus livros foram
traduzidos em diversos idiomas e tornaram-se
temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da
Literatura Popular Universal, sob a regência do
Professor Raymond Cantel. Contava com orgulho que
desde que começou a trabalhar na agricultura,
nunca passou um ano sem botar a sua roçazinha, a
não ser no ano em que foi ao Pará. Quase sem
audição e cego desde o final dos anos 90, o
grande e modesto poeta brasileiro, com apenas um
metro e meio de altura, morreu em sua casa, em
Assaré, interior do Ceará, a 623 quilômetros
da capital estadual Fortaleza, aos 93 anos, após
falência múltipla dos órgãos em
conseqüência de uma pneumonia dupla, além de
uma infecção na vesícula e de problemas
renais, e foi enterrado no cemitério São João
Batista, na sua cidade natal. Outros livros
importantes de sua autoria foram Inspiração
nordestina, Cantos de Patativa, Rio de Janeiro
(1967), Cante lá que eu canto cá, Filosofia de
um trovador nordestino, Editora Vozes,
Petrópolis (1978), Ispinho e Fulô, SCD,
Fortaleza (1988) e Balceiro, SCD, Fortaleza
(1991), Aqui tem coisa, Multigraf/ Editora,
Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do
Ceará, Fortaleza (1994) e Cordéis, URCA,
Universidade Regional do Cariri, Juazeiro do
Norte. Sobre ele foram produzidos os filmes
Patativa de Assaré, Um poeta camponês,
curta-metragem documentário, Fortaleza, Brasil
(1979) e Patativa do Assaré, Um poeta do povo,
curta-metragem documentário, Fortaleza, Brasil
(1984).
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