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BIOGRAFIAS DE CELEBRIDADES PERSONALIDADES ARTISTAS
FAMOSOS
BIOGRAFIA DE
René
Descartes
(Filósofo,físico e matemático)
31-03-1596, La Haye/Touraine,França
11-02-1650, Estocolmo,Suécia |
René Descartes, nascido em 1596 em La Haye -
não a cidade dos Países-Baixos, mas um povoado
da Touraine, numa família nobre - terá o
título de senhor de Perron, pequeno domínio do
Poitou, daí o aposto "fidalgo
poitevino".
De 1604 a 1614, estuda no colégio jesuíta de La
Flèche. Aí gozará de um regime de privilégio,
pois levanta-se quando quer, o que o leva a
adquirir um hábito que o acompanhará por toda
sua vida: meditar no próprio leito. Apesar de
apreciado por seus professores, ele se declara,
no "Discurso sobre o Método",
decepcionado com o ensino que lhe foi ministrado:
a filosofia escolástica não conduz a nenhuma
verdade indiscutível, "Não encontramos aí
nenhuma coisa sobre a qual não se dispute".
Só as matemáticas demonstram o que afirmam:
"As matemáticas agradavam-me sobretudo por
causa da certeza e da evidência de seus
raciocínios". Mas as matemáticas são uma
exceção, uma vez que ainda não se tentou
aplicar seu rigoroso método a outros domínios.
Eis por que o jovem Descartes, decepcionado com a
escola, parte à procura de novas fontes de
conhecimento, a saber, longe dos livros e dos
regentes de colégio, a experiência da vida e a
reflexão pessoal: "Assim que a idade me
permitiu sair da sujeição a meus preceptores,
abandonei inteiramente o estudo das letras; e
resolvendo não procurar outra ciência que
aquela que poderia ser encontrada em mim mesmo ou
no grande livro do mundo, empreguei o resto de
minha juventude em viajar, em ver cortes e
exércitos, conviver com pessoas de diversos
temperamentos e condições".
Após alguns meses de elegante lazer com sua
família em Rennes, onde se ocupa com equitação
e esgrima (chega mesmo a redigir um tratado de
esgrima, hoje perdido), vamos encontrá-lo na
Holanda engajado no exército do príncipe
Maurício de Nassau. Mas é um estranho oficial
que recusa qualquer soldo, que mantém seus
equipamentos e suas despesas e que se declara
menos um "ator" do que um
"espectador": antes ouvinte numa escola
de guerra do que verdadeiro militar. Na Holanda,
ocupa-se sobretudo com matemática, ao lado de
Isaac Beeckman. É dessa época (tem cerca de 23
anos) que data sua misteriosa divisa
"Larvatus prodeo". Eu caminho
mascarado. Segundo Pierre Frederix, Descartes
quer apenas significar que é um jovem sábio
disfarçado de soldado.
Em 1619, ei-lo a serviço do Duque de Baviera. Em
virtude do inverno, aquartela-se às margens do
Danúbio. Podemos facilmente imaginá-lo alojado
"numa estufa", isto é, num quarto bem
aquecido por um desses fogareiros de porcelana
cujo uso começa a se difundir, servido por um
criado e inteiramente entregue à meditação. A
10 de novembro de 1619, sonhos maravilhosos
advertem que está destinado a unificar todos os
conhecimentos humanos por meio de uma
"ciência admirável" da qual será o
inventor. Mas ele aguardará até 1628 para
escrever um pequeno livro em latim, as
"Regras para a direção do espírito"
(Regulae ad directionem ingenii). A idéia
fundamental que aí se encontra é a de que a
unidade do espírito humano (qualquer que seja a
diversidade dos objetos da pesquisa) deve
permitir a invenção de um método universal. Em
seguida, Descartes prepara uma obra de física, o
Tratado do Mundo, a cuja publicação ele
renuncia visto que em 1633 toma conhecimento da
condenação de Galileu. É certo que ele nada
tem a temer da Inquisição. Entre 1629 e 1649,
ele vive na Holanda, país protestante. Mas
Descartes, de um lado é católico sincero
(embora pouco devoto), de outro, ele antes de
tudo quer fugir às querelas e preservar a
própria paz.
Finalmente, em 1637, ele se decide a publicar
três pequenos resumos de sua obra científica: A
Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria. Esses
resumos, que quase não são lidos atualmente,
são acompanhados por um prefácio e esse
prefácio foi que se tornou famoso: é o Discurso
sobre o Método. Ele faz ver que o seu método,
inspirado nas matemáticas, é capaz de provar
rigorosamente a existência de Deus e o primado
da alma sobre o corpo. Desse modo, ele quer
preparar os espíritos para, um dia, aceitarem
todas as conseqüências do método - inclusive o
movimento da Terra em torno do Sol! Isto não
quer dizer que a metafísica seja, para
Descartes, um simples acessório. Muito pelo
contrário! Em 1641, aparecem as Meditações
Metafísicas, sua obra-prima, acompanhadas de
respostas às objeções. Em 1644, ele publica
uma espécie de manual cartesiano. Os Princípios
de Filosofia, dedicado à princesa palatina
Elisabeth, de quem ele é, em certo sentido, o
diretor de consciência e com quem troca
importante correspondência. Em 1644, por
ocasião da rápida viagem a Paris, Descartes
encontra o embaixador da frança junto à corte
sueca, Chanut, que o põe em contato com a rainha
Cristina.
Esta última chama Descartes para junto de si.
Após muitas tergiversações, o filósofo, não
antes de encarregar seu editor de imprimir, para
antes do outono, seu Tratado das Paixões -
embarca para Amsterdã e chega a Estocolmo em
outubro de 1649. É ao surgir da aurora (5 da
manhã!) que ele dá lições de filosofia
cartesiana à sua real discípula. Descartes, que
sofre atrozmente com o frio, logo se arrepende,
ele que "nasceu nos jardins da
Touraine", de ter vindo "viver no país
dos ursos, entre rochedos e geleiras". Mas
é demasiado tarde. Contrai uma pneumonia e se
recusa a ingerir as drogas dos charlatões e a
sofrer sangrias sistemáticas ("Poupai o
sangue francês, senhores"), morrendo a 9 de
fevereiro de 1650. Seu ataúde, alguns anos mais
tarde, será transportado para a França. Luís
XIV proibirá os funerais solenes e o elogio
público do defunto: desde 1662 a Igreja
Católica Romana, à qual ele parece Ter-se
submetido sempre e com humildade, colocará todas
as suas obras no Index.
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