Proprietário do maior conglomerado de
comunicação do Brasil e um dos maiores do
mundo, as Organizações Globo, Roberto Marinho
foi um dos homens mais poderosos e influentes do
país no século 20.
Em sete décadas de trabalho, atuou nas mídias
de rádio, televisão, jornal, editora,
produção de cinema, vídeo, internet e
distribuição de sinal de TV paga e de dados.
Suas empresas atravessaram a virada do século 21
com mais de 15 mil funcionários e faturamento de
aproximadamente US$ 2 bilhões, tornando-se um
dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista
Forbes.
Filho do jornalista Irineu Marinho Coelho de
Barros e Francisca Pisani Barros, Roberto Pisani
Marinho nasceu no Rio de Janeiro no dia 3 de
dezembro de 1904 e teve mais quatro irmãos, dois
homens e duas mulheres.
Educado na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos
colégios Anglo-Brasileiro, Paula Freitas e
Aldridge, o empresário teve sua vida sempre
ligada ao jornalismo. Em 1911, seu pai fundou o
jornal A Noite, o primeiro vespertino moderno no
Rio de Janeiro, que logo conquistou a liderança
de vendas entre os vespertinos da então capital
da república.
Início do Império Globo
Após vender A Noite, Irineu Marinho lançou o
jornal 'O Globo', também vespertino, no dia 29
de julho de 1925, com uma tiragem de 33.435
exemplares. Nessa época, Roberto Marinho, com 20
anos, foi trabalhar com o pai, atuando como
repórter e secretário particular.
Apenas 21 dias depois do lançamento do jornal,
Irineu Marinho morreu de infarto enquanto tomava
banho em sua casa. Apesar da pressão da família
para assumir a direção do vespertino, Roberto
Marinho preferiu deixar o comando da empresa nas
mãos do jornalista Euclydes de Matos, amigo de
confiança de seu pai. Enquanto isso, continuou
trabalhando como copidesque, redator chefe,
secretário e diretor. Somente com a morte de
Euclydes de Matos é que assumiu a direção do
periódico, em 1931.
Em oposição ao jornalismo partidário que ainda
se praticava em outras mídias, 'O Globo' surgiu
como um canal noticioso, defendendo causas
populares e a abertura do país ao capital
estrangeiro. Apesar de o jornal ser na época o
principal meio de comunicação do grupo, o
crescimento da empresa aconteceu com a venda de
histórias em quadrinhos norte-americanas e de
empreendimentos imobiliários.
No final de 1944, o empresário comprou a rádio
Transmissora e lançou sua primeira emissora, a
rádio Globo, que marcou o início da formação
do seu conglomerado de mídia. Onze anos depois,
ganhou a concessão de sua primeira estação de
TV.
O início das transmissões do novo canal foi em
1965, quando o jornalista tinha 60 anos, com o
início das transmissões do Canal 4, a Globo do
Rio. No ano seguinte, o empresário adquiriu em
São Paulo a TV Paulista, Canal 5, e começou a
formar a rede de mais de 113 emissoras entre
Geradoras e Afiliadas.
Dinheiro estrangeiro
Como na época não possuía o capital
necessário para o novo empreendimento, Marinho
se uniu ao grupo norte-americano Time-Life, para
quem deu 49% de participação. O grupo trouxe
investimentos estimados em US$ 25 milhões e a
tecnologias avançadas, que mais tarde seria
transformada no chamado "Padrão Globo de
Qualidade".
Apesar das críticas e até mesmo da criação de
uma Comissão Parlamentar de inquérito para
investigar a parceria com o grupo americano, o
que era proibido pela constituição, a Rede
Globo em apenas cinco anos ganhou projeção
nacional e se tornou líder de audiência. Em
pouco tempo, a emissora já obtinha mais 75% do
total de verbas publicitárias destinadas à
mídia televisão. Em 1977, já com o seu
império de mídia consolidado, construiu uma
fundação com o seu nome, destinada à
promoção da cultura e educação no país.
Ao longo de sua vida, Roberto Marinho teve
grandes adversários, como Assis Chateaubriand,
Carlos Lacerda, Samuel Wainer e Leonel Brizola,
frutos de suas conflituosas relações com o
poder, o qual muitas vezes foi acusado de ser
conivente, principalmente durante o período da
ditadura militar, período onde ocorreu o grande
crescimento de suas empresas.
Vida pessoal
Casado por três vezes, Roberto Marinho teve
quatro filhos, todos frutos de seu casamento com
sua primeira esposa, Stela Marinho: Roberto
Irineu, José Roberto, João Roberto e Paulo
Roberto.
No Réveillon de 1970, seu filho Paulo Roberto,
à época com 19 anos, morreu em um acidente de
carro, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O
jornalista também foi casado com Ruth Marinho,
sua segunda mulher, e, em 1984, casou-se com Lily
de Carvalho, com quem viveu o restante de sua
vida.
Com a idade avançada, em 1998, Roberto Marinho
se afastou do comando das empresas e dividiu com
seus filhos o poder das Organizações Globo:
Roberto Irineu passou a supervisionar a
televisão, enquanto João Roberto passou a
dirigir o jornal e José Roberto, o sistema de
rádio.
Em 1993, candidatou-se à vaga da cadeira de
número 39 da Academia Brasileira de Letras, que
antes pertencia ao também jornalista Otto Lara
Rezende, sendo eleito no dia 22 de julho de 1993.
Apesar de não possuir uma carreira literária,
tornou-se "imortal" pelos
"serviços prestados ao rádio e à
televisão brasileira", com 34 dos 37 votos
dos acadêmicos.
O jornalista Roberto Marinho morreu, aos 98 anos,
no dia 6 de agosto de 2003. Ele estava em sua
casa, no Cosme Velho, pela manhã, quando sofreu
um edema pulmonar, provocado por uma trombose. O
empresário foi, então, internado na Unidade de
Terapia Intensiva do Hospital Samaritano, em
Botafogo, mas não sobreviveu.
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