Papa (217-222) e santo da Igreja Cristã Romana
nascido em Roma, sucessor do papa Zeferino, cujo
pontificado foi marcado pelo início do cisma que
colocou Hipólito de Roma como antipapa. Era
diácono durante o pontificado de São Zeferino
e, eleito (217), durante cinco anos, lutou contra
a heresia do presbítero e teólogo Hipólito,
para preservar a doutrina. Mandou construir as
famosas catacumbas da Via Apia, onde foram
enterrados 46 Papas e uns 200.000 mártires. Foi
acusado por Tertuliano e Hipólito de ser
demasiado indulgente ao administrar o sacramento
da penitência, quando o papa concedeu a
absolvição aos pecadores de adultério,
homicídio e apostasia. Até então esta
absolvição só era dada uma vez na vida e após
uma dura penitência pública, enquanto os
reincidentes eram excluídos da comunhão
eclesial. Acrescentaram-se às divergências
pessoais de oposição, a inveja de Hipólito,
que nunca se conformou em ser preferido a ele
como sucessor do Papa Zeferino. Hipólito chegou
mesmo à ruptura total e fez-se ordenar bispo e
fundou uma igreja própria, arrastando no cisma
parte do clero e do povo de Roma, defendendo sua
radical condenação em relação aos adúlteros,
para os quais não aceitava a reconciliação e o
perdão, que por sua vez eram concedidos pelo
Papa. Inconformado continuou fomentando as
acusações, calúnias e interpretações de
desprezo à pessoa e ao trabalho do papa. Assim,
durante uma rebelião popular, o papa foi
espancado e, ainda vivo, jogado em um poço onde
hoje se acha a Igreja de Santa Maria, em
Trastevere. Enterrado como mártir, em Roma, o
local de seu sepulcro gerou o histórico sítio
denominado de Catacumbas de São Calisto. O termo
catacumba é a denominação dos primitivos
cemitérios cristãos, constituídas por
galerias, cubículos e outras cavidades.
Escavados sob os cemitérios ou terrenos baldios
situados fora dos muros das cidades, as
catacumbas, numerosas sobretudo em Roma como as
de Calisto, Domitilae Priscila, também são
encontradas em outras localidades do Império
Romano, como Marselha, Sevilha, Siracusa,
Poitiers. O cisma continuou durante o pontificado
de Ponciano, que contudo conseguiu, com a sua
magnanimidade trazer Hipólito e o seu grupo de
volta à Igreja, depois de 20 anos de
separação.
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