Sílvio de Abreu nasceu em São Paulo, capital,
em 20 de dezembro de 1942. Eis aqui o que ele
mesmo sobre sobre mesmo:
"O início de minha carreira em televisão,
ainda como ator, foi na Rede Tupi em 1966 quando
fiz um pequeno papel nos primeiros capítulos na
novela CIÚMES de Thalma de Oliveira, dirigida
por Benjamim Cattan. Contracenava então com
Cacilda Becker o que foi uma imensa honra.
Naquela época estava de viagem marcada para Nova
Iorque onde cursei o Actors Studios, mas
antes da viagem trabalhei em vários "TV de
Vanguarda" incluindo duas super-produções
que eram encenadas em teatro e depois gravadas
para o programa: "Antigone" de
Sófocles no Teatro Municipal de São Paulo com
Aracy Balabanian e Laura Cardoso e "A Alma
Boa de Setsuan" de Bertold Brecht com Maria
Della Costa, ambos com direção também de
Benjamim Cattan. Antes de ingressar na televisão
já havia atuado em vários espetáculos teatrais
como "Vereda da Salvação" de Jorge
Andrade, "A Ópera dos Três Vinténs"
de Bertold Brecht, "O Círculo de
Champagne" de Abílio Pereira de Almeida,
"Tchin-Tchin" de François Billedoux e
havia provado também o gostinho de estar por
detrás do espetáculo sendo assistente de
direção de um mestre, Antonio Abujamra em
várias encenações. A TV Tupi, na época, ainda
era a maior produtora de teledramaturgia do
país, mas estava prestes a perder o lugar para a
TV Excelsior, onde passei a trabalhar depois que
voltei de Nova Iorque. "O Grande
Segredo", novela de Marcos Rey com direção
de Walter Avancini foi minha estréia na
emissora. Era também um pequeno papel, mas já
iria ficar a novela toda o que era um ganho.
Outras seguiram como "A Muralha" e
"Os Estranhos", ambas de Ivani Ribeiro.
Foi trabalhando como ator nestas duas novelas que
comecei a me interessar pelo texto que vinha de
Ivani e, mesmo sem ter a menor pretensão de
algum dia vir a escrever novelas, tinha imenso
prazer em ficar lendo e analisando como aquelas
histórias eram apresentadas em capítulos para o
público. Costumo dizer que minha grande mestra
em teledramaturgia foi Ivani Ribeiro e foi mesmo
porque sem nunca ter tido, na época, uma
conversa sequer com ela, aprendi meu oficio
estudando seus scripts. Com o fechamento da TV
Excelsior, a maioria de seus artistas migrou para
a Rede Globo, no Rio de Janeiro. Antes de seguir
a tendência, participei da novela "Os
Miseráveis", de Walter Negrão, baseada em
Victor Hugo e dirigida pelo grande homem de
teatro Ademar Guerra, na inauguração da TV
Bandeirantes. Depois, na TV Globo, fiz um ótimo
e divertido personagem em "A Próxima
Atração", novela de Walter Negrão, com
Sergio Cardoso e Tônia Carrero. Convidado pelo
próprio Walter Negrão, voltei para São Paulo e
na TV Record participei, com o mesmo papel da
novela da Globo, de "Editora Mayo, Bom
Dia", onde conheci Carlos Manga, que dirigia
a novela, de quem me tornei assistente e
desistindo da apática carreira de ator me fixei
em direção e posteriormente passei a escrever.
Manga me levou para o cinema e juntos fizemos o
roteiro de "Gente Que Transa", o
primeiro filme que dirigi. Seguiram-se outros
trabalhos como "Assim era a Atlântida"
um documentário sobre as chanchadas dos anos 50
e "O Marginal", onde fui diretor
assistente dele. Depois, em vôo solo dirigi
outros filmes como "Cada Um Dá O Que
Tem", "Elas São do Baralho",
"A Árvore dos Sexos" e "Mulher
Objeto", em todos além da direção me
encarregava também do roteiro. Em 1977 Antonio
Abujamra e Roberto Talma, que passaram a dirigir
a TV Tupi, chamaram a mim e ao meu parceiro nos
roteiros cinematográficos, o crítico de cinema
Rubens Ewald Filho, para que pensássemos em uma
novela para a emissora. Estreamos em julho de
1977 com uma adaptação do livro de Maria José
Dupret, "Éramos Seis" estrelada por
Nicette Bruno e Gianfrancesco Guarnieri. O
sucesso veio rápido e ambos recebemos ofertas da
Rede Globo onde estreei em 1978 com a novela
"Pecado Rasgado", protagonizada por
Aracy Balabanian e Juca de Oliveira. Com o
término da novela, idealizei o formato do
Telecurso Segundo Grau para a TV Globo e TV
Cultura em parceria, onde escrevia e dirigia as
aulas de Língua Portuguesa e Literatura
Brasileira. Também escrevi por um período o
programa de Hebe Camargo para a TV Bandeirante.
Voltei às novelas para terminar "Plumas e
Paetês", novela de Cassiano Gabus Mendes e
em seguida desenvolvi uma idéia de Janete Clair
para a novela JOGO DA VIDA. No rastro vieram
"Guerra dos Sexos", "Vereda
Tropical", "Cambalacho",
"Sassaricando", "Rainha da
Sucata", "A Próxima Vítima",
"Torre de Babel", "A Incrível
Batalha das Filhas da Mãe no Jardim de
Éden" e "Belíssima"."
E nós dizemos sobre ele: Silvio de Abreu é um
dos maiores nomes da teledramaturgia nacional. E
é o mais paulistano deles. Suas características
aparecem em todos os seus trabalhos e fazem
sucesso. O público se envolve, pois Silvio, que
foi ator, assistente de direção, diretor e
viveu com profundidade o clima quente, tenso,
amoroso e nervoso dos estúdios de televisão,
quando passou a escritor, já o fez com sucesso:
"Éramos Seis", em parceria com Rubens
Ewald Filho. Foi logo tomado pela euforia da
"criação", passando a considerar
"apática" sua vida de ator. Nascia o
autor caloroso e criativo. E em suas criações
colocou não apenas a verdade, o cerne dos
personagens, sempre reais, Colocou humorismo,
colocou também "mistério",
situações indefinidas, enfim, suspense. E assim
Silvio de Abreu aumentou seu próprio valor e
transformou-se em um dos melhores autores
nacionais de teledramaturgia. Seus trabalhos logo
emplacam, caminham e terminam com sucesso, pois o
moço paulistano é realmente um mestre em
escrever e encantar.
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