Físico, matemático e astrônomo inglês, foi um
dos mais influentes cientistas em toda a
história da ciência. Nasceu em 25 de dezembro
de 1642, numa fazenda em Lincolnshire, interior
da Inglaterra. Legou ao mundo o cálculo
diferencial e integral, a mecânica e a óptica
racionais e a teoria da gravitação universal
uma obra que consolidou a revolução
científica do século XVII. Estudou no Trinity
College de Cambridge, onde recebeu em 1665 o
título de bacharel, aos 23 anos. Nesse mesmo
ano, foi obrigado a se recolher à sua aldeia
natal devido à peste que assolava a Inglaterra.
Ficou na fazenda de sua mãe por aproximadamente
dois anos (1665-1667), período mais tarde
chamado de "os anos admiráveis" pelos
historiadores da ciência. A lei da gravitação
universal, a teoria da decomposição da luz
solar no espectro, os anéis coloridos das
lâminas delgadas, sistematizados anos depois,
foram frutos de reflexões dessa época de
ociosidade involuntária.
A maçã e a lei da gravitação Foi naqueles
"anos admiráveis" que Newton teria
observado uma maçã caindo no chão e, a partir
desse fato simples, dado início às reflexões
que desembocariam na lei da gravitação
universal: a força que havia puxado a fruta para
a terra era a mesma que puxava a Lua, impedindo-a
de escapar de sua órbita. Sistematizando
astrônomos anteriores, como Galileu e Kepler,
Newton formulou o seguinte princípio: "A
velocidade da queda de um corpo é proporcional
à força da gravidade e inversamente
proporcional ao quadrado da distância até o
centro da Terra". Foi a primeira vez que uma
mesma lei física foi aplicada tanto a objetos
terrestres quanto a corpos celestes. Até então,
esses dois mundos eram tratados como se tivessem
naturezas essencialmente diferentes, cada qual
com as próprias leis. Ao firmar o princípio da
gravitação universal, Newton eliminou a
dependência da ação divina e influenciou
profundamente o pensamento filosófico do século
XVIII, dando início à ciência moderna.
Cálculo infinitesimal Em 1667, Newton retornou a
Cambridge e redigiu o princípio que trata da
atração dos corpos, mas só o retomou 15 anos
depois, em 1682, reagindo a uma provocação do
astrônomo Edmund Halley (o do cometa). Nos anos
seguintes, ainda iniciais em sua carreira, Newton
estava mais interessado na mecânica celeste:
desenvolveu o cálculo infinitesimal, chamando-o
de "método matemático dos fluxos", e
descobriu a aceleração circular uniforme, a que
deu o nome de "centrípeta", supondo
que o princípio determinante da gravitação
terrestre seria o mesmo que governava a rotação
da Lua ao redor da Terra, mas, como a
comprovação dessa teoria exigia conhecer a
medida exata do raio terrestre, Newton abandonou
os trabalhos nesse terreno. Dedicou-se, então,
à óptica, formulando, em 1669, sua teoria das
cores, sobre a decomposição da luz solar por
meio de um prisma.
O prisma e o telescópio Das experiências de
Newton com a luz, a mais conhecida é a de
refração da luz: um raio de sol penetra numa
sala escura, atravessa um prisma de vidro e sai
do outro lado como um feixe de luzes de
diferentes cores, dispostas na mesma ordem em que
aparecem no arco-íris. Para garantir que o
prisma não teria adicionado novas cores ao
feixe, Newton fez o feixe colorido passar por um
segundo prisma. Resultado: as cores voltaram a se
juntar em outro feixe, de luz branca, igual ao
inicial. Depois dessa descoberta, o cientista
inglês percebeu que o fenômeno da refração
luminosa ocorria sempre que a luz atravessava
prismas ou lentes (de modo menos pronunciado) e
isso limitava a eficiência dos telescópios.
Inventou, então, um telescópio refletor, em que
a concentração da luz era feita por um espelho
parabólico e não por uma lente. Apresentado à
academia em 1671, o princípio desse telescópio
é utilizado até hoje.
Princípios Em 1671, Newton assumiu a vaga de
professor catedrático de Matemática da
Universidade de Cambridge e, no ano seguinte,
eleito para a Royal Society, revelou sua teoria
das cores, publicada no livreto Nova Teoria da
Luz e da Cor. Demonstrou que as cores primitivas
ou fundamentais amarelo, azul e vermelho
possuem caráter especial e não são
passíveis de decomposição, e, nos anos
seguintes, tratou das propriedades da luz,
explicou a produção das cores por lâminas
delgadas e formulou a teoria corpuscular da luz.
Em agosto de 1684, aos 42 anos, Newton recebeu a
visita do jovem e brilhante astrônomo Edmond
Halley, que fora de Londres a Cambridge com o
único objetivo de interrogá-lo sobre o assunto
do momento nas rodas de ciência: como explicar o
movimento dos planetas, observado pelos
astrônomos, a partir das "leis da
física"? Newton retomou, então, suas
reflexões sobre a mecânica celeste. O resultado
foi sua obra Philosophiae Naturalis Principia
Mathematica (Princípios Matemáticos da
Filosofia Natural), que propõe três axiomas
básicos:
1 - A menos que uma força externa atue, todo
corpo tende a permanecer em repouso ou em
movimento retilíneo e uniforme (princípio da
inércia).
2 - Caso uma força externa atue, a aceleração
que o corpo recebe dela é diretamente
proporcional à sua intensidade (princípio
fundamental da dinâmica).
3 - Ao receber uma força de outro, o corpo
também exerce sobre este uma força de igual
intensidade, mesma direção e sentido contrário
(princípio da ação e reação).
A aparente simplicidade desses princípios é
resultado de um enorme esforço intelectual
empreendido por Newton e criou as bases da
ciência moderna. Não apenas os movimentos dos
planetas, mas também dos cometas e das marés,
são examinados à luz de princípios
matemáticos. O trabalho obteve grande
repercussão internacional e mudou a vida do
cientista. Eleito para o Parlamento em 1687, foi
nomeado para a Superintendência da Casa da Moeda
em 1696, quando trocou Cambridge por Londres. A
saída da Universidade representou o fim da
atividade científica, mas o início de seu
poderio político nos círculos científicos.
Adulado por todos, foi eleito presidente da Royal
Society em 1703 e, dois anos depois, sagrado
cavaleiro. Sir Isaac Newton dirigiu a
instituição com mão de ferro até sua morte,
em 20 de março de 1727.
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