Milosevic, desde 1987 primeiro-secretário do
Partido Comunista sérvio (reconvertido em 1990
em Partido Socialista da Sérvia), obteve
destaque político internacional devido aos
conflitos entre sérvios ortodoxos e albaneses
muçulmanos de Kosovo, ao tornar-se o
representante máximo do nacionalismo da
"Grande Sérvia". Em 1990, suprimiu a
autonomia das províncias sérvias de Kosovo e
Voivodina. Partidário da manutenção da
integridade do Estado iugoslavo, dominado pelos
sérvios, opôs-se às declarações de
independência da Eslovênia e da Croácia em
1991, agravando o conflito com o envio do
Exército iugoslavo contra essas repúblicas.
Esse fato desencadeou a guerra que conduziu à
dissolução da Iugoslávia. Em conseqüência da
declaração de independência da
Bósnia-Herzegovina em 1992, apoiou o líder
sérvio Radovan Karadzic, que transformou essa
república, caracterizada por sua multiplicidade
étnica e religiosa, no palco principal da guerra
da ex-Iugoslávia. Submetido a pressões e ao
embargo decretado pela ONU desde maio de 1992,
participou finalmente do processo de paz que
levaria, em 1995, à assinatura do Tratado de
Dayton. Num momento de graves problemas
econômicos e de demonstração de insatisfação
da opinião pública, em 1996 teve de enfrentar
uma forte oposição. As eleições no final de
1996, ganhas por seus adversários em muitas
cidades do país, deram origem a outro conflito,
pois Milosevic se recusou a aceitar os
resultados. Não podendo concorrer às eleições
presidenciais sérvias de 1997 por imperativo
constitucional, fez-se eleger presidente da
Iugoslávia no verão de 1997 por ambas as
câmaras do Parlamento Federal, conservando a
posição de homem forte da Sérvia.
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