"Pode alguém perguntar: 'Mas não serás
capaz, ó Sócrates, de nos deixar e viver calado
e quieto?' Não convenceria alguns dentre vós de
nada mais dificilmente do que disso. Se vos
disser que assim desobedeceria ao deus e, por
isso, impossível é a vida quieta, não me
dareis fé, pensando que é ironia; de outro
lado, se vos disser que para o homem nenhum bem
supera o discorrer cada dia sobre a virtude e
outros temas (...), e que a vida sem exame não
é vida digna de um ser humano, acreditareis
ainda menos em minhas palavras."
Na obra "Defesa de Sócrates", de seu
discípulo Platão, encontramos o mestre
afirmando a necessidade da filosofia contra seus
acusadores, que acabaram condenando-o à morte.
Sócrates é considerado um dos principais
filósofos de toda a história da filosofia
ocidental. Era filho de um escultor e de uma
parteira. Em Atenas, recebeu uma educação
clássica, que incluía ginástica, música e
gramática. Pouco se sabe a respeito de sua
juventude.
Sócrates vivia de maneira humilde, percorrendo
descalço as ruas de Atenas. Tornou-se o
filósofo por excelência, "amigo do
saber". Passou a ensinar em praça pública,
sem cobrar pelos seus ensinamentos, ao contrário
do que faziam os sofistas. Seu método consistia
em fazer perguntas que conduziam o discípulo à
descoberta da verdade.
Sócrates reformulou a filosofia grega, fazendo
com que a busca de conhecimento, antes centrada
no estudo da natureza, passasse a ocupar-se do
homem e das suas ações.
Casou-se com Xantipa, mulher de temperamento
difícil, e teve três filhos. No fim da vida,
foi considerado um perigo para a sociedade e,
confundido com os sofistas, acabou acusado e
condenado à morte. Preso, morreu ingerindo a
cicuta - um veneno comum na época - em 399 a.C.
Sócrates elaborou sua própria defesa,
comentando e refutando as acusações de
corromper a juventude e não venerar os deuses da
cidade.
Apesar de nunca ter escrito uma obra, a atividade
filosófica de Sócrates está documentada nos
livros do também filósofo grego Platão. Os
célebres diálogos de Platão incluem o
"Êutifron", o "Critão", o
"Fédon" e "Um Banquete". Em
todos eles, Sócrates aparece como personagem.
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