Abaporu. Com essa célebre tela, Tarsila do
Amaral deu impulso ao Movimento Antropofágico e
propiciou o momento mais criativo e original do
modernismo brasileiro no âmbito das artes
plásticas. Dado de presente de aniversário a
Oswald de Andrade, o artista, entusiasmado com a
originalidade da obra, entrou em contato com Raul
Bopp e tratou de organizar um movimento em torno
dele. Primeiro procurou no vocabulário
tupi-guarani o nome que daria à inusitada obra:
Aba (homem) e poru (que come) ou antropófago.
Mesmo tornando-se figura marcante no movimento
modernista, Tarsila não participou da Semana de
Arte Moderna. Nessa época, estava em Paris
estudando na Académie Julien. Entrou em contato
com o grupo modernista só quando retornou a São
Paulo, no final de 1922, formando, com Anita
Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e
Menotti del Picchia, o Grupo dos Cinco. Novamente
em Paris (1923), conheceu Léger e Cendrars,
entre outros artistas vanguardistas. De volta ao
Brasil em 1924, percorreu as cidades históricas
mineiras com o poeta francês Blaise Cendrars,
Oswald de Andrade e Mário de Andrade numa viagem
de descoberta do Brasil. Sua obra pode ser
dividida em três fases. Na primeira, denominada
Pau-Brasil, Tarsila, influenciada pela
construção geométrica de Léger, integra à
sua pintura temas brasileiros e as cores caipiras
das cidades barrocas mineiras, dos subúrbios das
grandes cidades e do universo rural. Alguns dos
quadros dessa fase: A Negra (1923), Rio de
Janeiro (1923), São Paulo (1924), O Mamoeiro
(1925), O Vendedor de Frutas (1925) e Palmeiras
(1925) . Com o Abaporu (1928), iniciou a segunda
fase, a Antropofágica. Rompendo sua relação
tranqüila com o mundo real e usando cores
telúricas, uniu o onírico e o fantástico a
temas primitivistas e nativistas, que se deformam
e se confundem com o sonho. Outras obras da fase:
O Ovo (1928), O Lago (1928), Boi na Floresta
(1928), O Sono (1928) e Antropofagia (1929 . O
terceiro momento, o Social, é iniciado com o
quadro Operários (1933), após viagem à União
Soviética. Tarsila participou de coletivas no
exterior e das primeiras Bienais de São Paulo
(1951 e 1953), merecendo uma sala especial em
1963. Em 1964, apresentou-se na 32ª Bienal de
Veneza.
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