Polêmico escritor e cineasta holandês nascido
em Haia, diretor de Submission, filme que
suscitou grande polêmica na Holanda sobre o
Islã. Seu bisavô era o negociante de arte e
irmão do famoso pintor holandês Vincent van
Gogh. Abandonou o curso de direito para se tornar
encenador, até que debutou como diretor com o
filme Luger (1981). Como ator, apareceu na
produção De noorderlingen (1992) e depois
trabalhou como apresentador de talk-shows na
televisão e escreveu colunas para o jornais,
sempre com assuntos e opiniões controvertidas.
Recebeu um Gouden Kalf, o Oscar holandês
equivalente do) por Blind Date (1996) e In het
belang van de staat (1997). Era um crítico
famoso de Islã, especialmente depois dos ataques
terroristas de 11 de setembro (2001). Em seu
último livro, Allah weet het beter (2003),
descreveu suas visões do Islã no seu típico
tom cínico e zombeteiro. Foi membro da
anti-monarquista sociedade republicana holandesa
Republikeins Genootschap, e apoiou a nomeação
da política liberal Ayaan Hirsi Ali, uma
refugiada somali, que deixou de ser muçulmana,
para o parlamento holandês, que foi eleita
Partido Liberal VVD (2004) defendendo um discurso
direitista como a imposição de limites à
admissão de imigrantes na Holanda, especialmente
muçulmanos. Sua polêmica trajetória
intelectual atingiu o ápice quando, escrito por
Hirsi Ali, produziu e dirigiu o filme Submission
(2004), exibido na televisão holandesa.
Submission é uma referência inequívoca ao
Islã, significando literalmente Submissão a
Alá, um curta-metragem de dez minutos sobre a
violência exercida contra as mulheres
muçulmanas, especialmente tematizando a
circuncisão feminina, e alertando para outros
abusos como incestos, estupros consentidos,
casamentos forçados e o suicídio forçados de
jovens mulheres muçulmanas imigrantes. O filme
suscitou grande polêmica na Holanda sobre o
Islã e após sua estréia, e ele e Hirsi Ali
receberam ameaças de morte. Ele estava
terminando um longa-metragem sobre a história do
primeiro político a ser assassinado na Holanda
(2002), o controverso líder da direita populista
holandesa Wilhelmus Simon Petrus Fortuyn, o Pim
Fortuyn (1948-2002), quando também foi
assassinado na manhã de 2 de Novembro (2004), em
Amsterdã, na esquina entre as ruas
Linnaeusstraat e Mauritskade, zona norte da
cidade e onde vivem muitos imigrantes. Ele estava
indo para o trabalho pela manhã de bicicleta,
quando recebeu vários tiros e ainda duas facadas
no peito e quase degolado, desferidos por um
fanático muçulmano de 26 anos, Mohammed Buyeri,
de dupla nacionalidade, holandesa e marroquina,
que ainda colocou sobre o corpo, presa com a
faca, uma folha de papel com versos de Al Corão.
Durante sua carreira do controverso cineasta
holandês, de 47 anos, dirigiu cerca de duas
dezenas de filmes, escreveu mais três livros,
Engel (1990), Er gebeurt nooit iets (1993) e Sla
ik mijn vrouw wel hard genoeg? (1996), colaborou
com uma dezena de jornais e revistas, e terminou
sendo mais uma vítima do fanatismo religioso
que, absurdamente parece ficar mais radical a
cada dia que se passa. Sua morte provocou uma
série de incidentes de incêndios ou vandalismo
contra instituições islâmicas na Holanda e em
países vizinhos.
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