Advogado e poeta luso-brasileiro nascido na
cidade do Porto, um dos maiores poetas do
arcadismo brasileiro e autor do primeiro livro
publicado no Brasil: Marília de Dirceu (1812),
na realidade o terceiro volume da série,
impresso nas oficinas da Imprensa Régia de D.
João VI, no Rio de Janeiro. Filho de um
português com uma brasileira, nasceu em Portugal
mas passou a infância na Bahia, onde estudou em
um colégio jesuíta. Retornou a Portugal para
estudar direito na Universidade de Coimbra.
Formou-se em direito em Coimbra (1768) e logo
após formar-se, escreveu o Tratado de Direito
Natural, de forte caráter iluminista. Foi juiz
em Beja antes de se mudar com a família para o
Brasil (1782) como ouvidor e procurador dos
defuntos e ausentes em Vila Rica, hoje Ouro
Preto. Na colônia fez amizade com os poetas
arcadistas mineiros, que tinham como mestre
Cláudio Manuel da Costa. Seu pendor para a
sátira realizou-se nos poemas satíricos em
forma de cartas, Cartas chilenas (1788-1789),
poema epistolar em decassílabos brancos, ou sem
rimas, em que satirizava o governador de Minas
Gerais, Luís da Cunha Meneses, seu adversário
político, retratado na obra como um governador
de província chilena chamado Falastrão
Minésio. Conheceu e enamorou-se de uma jovem da
sociedade local, Maria Dorotéia Joaquina de
Seixas, vinte anos mais moça, de quem ficou
noivo e a quem chamou Marília e dedicou seus
versos sob o nome poético de Dirceu, origem do
livro Marília de Dirceu. Nesse período vinha
aumentando na província mineira o
descontentamento popular, por questão da
cobrança de impostos, que iria se transformar
numa conspiração contra a metrópole. Nomeado
desembargador da relação da Bahia, antes de
assumir o novo cargo foi acusado de participar do
movimento conspiratório da Inconfidência
Mineira, organizado por Tiradentes, devido suas
ligações com o grupo de poetas árcades
mineiros e também em virtude de desentendimentos
com o governador Cunha Menezes, cujos desmandos
foram por ele satirizados em versos no Cartas
Chilenas. Foi preso (1789) e mandado para a ilha
das Cobras, no Rio de Janeiro, onde passou o
período da devassa. Na cadeia completou uma
série de poemas líricos, as liras, dedicados à
sua amada Maria Dorotéia. Estes poemas foram
reunidos nos três volumes chamados de Marília
de Dirceu. Em seguida (1792) foi condenado ao
degredo de dez anos de degredo em Moçambique.
Neste ano a primeira parte das liras de Marília
de Dirceu foi publicada em Lisboa (1792) e uma
segunda edição, com acréscimos, foi publicada
sete anos depois (1799), enquanto a terceira
parte só apareceu postumamente no Brasil.
Adaptado à sociedade moçambicana, casou-se com
Juliana Mascarenhas de Sousa, filha de um rico
mercador, viveu da advocacia e de um emprego na
alfândega, morrendo em Moçambique. O erotismo e
o sentimento elegíaco, componentes de alguns dos
versos dedicados à amada, levaram posteriormente
a identificá-lo como um pré-romântico.
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