Churchill, a personalidade mais destacada da
história britânica no século 20, procedia da
família dos duques de Marlborough. Filho do
líder do Partido Conservador Randolph Churchill,
foi educado em Harrow e na Academia Militar de
Sandhurst; em 1897-1898, serviu na Índia e no
Sudão como oficial e correspondente de guerra e,
entre 1899 e 1901, participou na Guerra dos
Bôeres. Churchill iniciou sua carreira política
em 1900 como deputado do Partido Conservador, mas
em 1904 passou para o Partido Liberal. Aos 31
anos, foi nomeado subsecretário, aos 33,
ministro do Comércio no gabinete de Herbert
Asquith (1908-1916), e, pouco depois, em 1910,
ministro do Interior, cargo a partir do qual
apoiou a política social de David Lloyd George.
Primeiro-lorde do almirantado (equivalente a
ministro da Marinha), em 1911 começou a preparar
a frota britânica para um futuro confronto com a
Alemanha, mas em 1915 teve que se demitir, devido
a pressões por parte dos conservadores no novo
gabinete de coligação, que o consideravam
responsável pelo fracasso da ocupação de
Constantinopla e do estreito dos Dardanelos
(expedição Callípoli). Em 1917, voltou ao
governo com Lloyd George como primeiro-ministro.
Como ministro da Guerra (1919-1921), e apesar da
forte oposição de uma Inglaterra cansada de
tantos conflitos bélicos, mandou tropas
britânicas para lutar ao lado dos
"brancos" na guerra civil russa contra
a revolução bolchevique, que Churchill
considerava uma ameaça para toda a Europa. Nas
eleições de 1922, perdeu sua posição na
Câmara dos Comuns, embora a tenha recuperado
dois anos mais tarde, em 1924, desta vez como
deputado do Partido Conservador. Sendo chanceler
do Tesouro no gabinete de Stanley Baldwin
(1924-1929), finalizou uma austera política de
mercado e combateu o movimento sindical. Logo
após a vitória do Partido Trabalhista em 1929,
Churchill foi membro da Câmara Baixa durante dez
anos sem cargo governamental. Contudo, a partir
de 1932, chamou a atenção para o perigo da
Alemanha nazista e combateu a política de
"appeasement" de Neville Chamberlain em
face das ânsias expansionistas alemãs. Quando
eclodiu a guerra, foi nomeado novamente lorde do
almirantado (1939), tendo-se mostrado contrário
a fazer qualquer tipo de concessão à Alemanha.
Após a demissão de Chamberlain, foi designado
primeiro-ministro, de 1940 a 1945, e ministro da
Defesa. Como motor da aliança contra o Reich
alemão, após a assinatura da Carta do
Atlântico (1941) com Franklin D. Roosevelt,
coordenou as ações militares de britânicos e
norte-americanos e, em 1941, chamou também a
União Soviética à coligação contra Hitler.
Nas conferências de Casablanca e Teerã (1943),
Ialta e Potsdam (1945), Churchill negociou com
Josef V. Stalin e Roosevelt os objetivos da
guerra, embora tivesse de aceitar tanto a
crescente supremacia norte-americana como
apesar do seu anticomunismo exacerbado a
expansão soviética na Europa. Apesar de
Churchill gozar de grande prestígio em nível
internacional, devido à grave crise econômica e
à problemática social no interior do país seu
partido perdeu as eleições legislativas de
1945, de modo que se viu obrigado a demitir-se
enquanto se celebrava a Conferência de Postdam.
Como líder da oposição, advertiu para o perigo
da expansão soviética e, em 1946, inventou a
expressão "cortina de ferro" como
metáfora da Guerra Fria que então começava, ao
mesmo tempo que defendia a união da Europa
Ocidental em aliança com os EUA e inspirava a
fundação da OTAN. Como primeiro-ministro
conservador de 1951 a 1955, invalidou uma parte
muito importante das nacionalizações feitas
pelo anterior governo trabalhista e teve de
aceitar a perda gradual das colônias
britânicas, depois de concedida, em 1947, a
independência à Índia, contra sua opinião.
Quando morreu Stalin (1953), organizou uma
conferência no mais alto nível para pôr fim à
Guerra Fria. Em 1953, Winston Churchill recebeu o
Prêmio Nobel da Literatura por sua extensa obra
histórico-literária; no mesmo ano foi nomeado
"Sir".
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