"E uma
mulher que acalentava um bebê disse,
- Fale-nos de Crianças...
E ele disse:
- Tuas crianças não são tuas crianças.
Elas são os filhos da Vida que anseia por si.
Elas vieram através de ti mas não de ti,
E a despeito de estarem contigo elas não te
pertencem.
Tu podes dar-lhes teu amor mas não teus
pensamentos,
Pois elas têm seus próprios pensamentos.
Tu podes hospedar seus corpos mas não sua almas,
Pois suas almas habitam a casa do amanhã,
que tu não podes visitar, mesmo em teus sonhos.
Tu podes empenhar-te para seres como elas, mas
não tentes
fazê-las serem como tu,
Pois a vida não caminha para trás nem coabita
com o Ontem.
Tu és o arco do qual tuas crianças,
como flechas vivas, são impulsionadas.
Arqueiro vede a marca sobre a trajetória do
Infinito,
a Ele te dobra com Seu Poder para que tuas
flechas
sigam velozes e para longe.
Deixes que a flexão na mão do arqueiro seja
para o
contentamento e a felicidade;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
Ele ama também o arco que seja firme"
Gibran Khalil Gibran - O Profeta - 1923
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