NÃO DEIXE
PARA DEPOIS
O pai de família chegou em casa e se sentou à
mesa com as contas do mês a pagar, e algumas já
vencidas, quando seu filhinho, cheio de alegria,
entrou correndo na sala e disse com entusiasmo:
"feliz aniversário, papai! Mamãe disse que
você está completando 55 anos hoje, por isso eu
vou lhe dar 55 beijos, um para cada ano."
O garoto começou a fazer o que prometera, quando
o pai exclamou:
Oh! Filho, agora não! Estou tão ocupado!
O menino fez silêncio imediato. Mas o seu gesto
chamou a atenção do aniversariante.
Olhando-o o pai percebeu que havia lágrimas em
seus grandes olhos azuis.
Desculpando-se, disse ao filho: "você pode
terminar amanhã."
O menino não respondeu e não foi capaz de
disfarçar o seu desapontamento enquanto se
afastava.
Naquela mesma noite o pai lhe falou: "venha
cá e termine de me dar seus beijos agora,
filho."
Ou ele não ouviu ou não estava mais com
vontade, pois não atendeu ao pedido.
Dois meses depois, um acidente levou o garoto.
Seu corpo foi sepultado num pequeno cemitério
perto do lugar onde ele gostava de brincar.
Aquele pai, constantemente se sentava ao lado do
túmulo do seu pequeno e, observando a natureza,
pensava consigo mesmo:
"O canto do sabiá não é mais doce que a
voz do meu filho, e a rolinha que canta para os
seus filhotes não é tão gentil como o
menininho que deixou de completar a sua
declaração de amor."
Ah! Se eu pudesse ao menos lhe dizer como me
arrependo daquelas palavras impensadas, e como o
meu coração está doendo agora por causa de
minha falta de delicadeza.
"Hoje eu fico aqui sentado, pensando em como
pude não retribuir seu afeto, mas entristeci seu
pequeno coração, cheio de ternura."
Às vezes, por motivos banais, deixamos passar
oportunidades únicas, que jamais se repetirão
em nossas vidas.
São momentos em que uma distração qualquer nos
afasta do abraço afetuoso de um ser querido...
Um compromisso, que poderíamos adiar, nos impede
de ficar um pouco mais com alguém que nos
deixará em breve...
Depois, como aconteceu ao pai que recusou os
beijos do filho, só resta a dor do
arrependimento.
E essa dor é como um fogo que queima sem
consumir.
E não é necessário que a pessoa a quem negamos
nossa atenção seja arrebatada pela morte, para
que sintamos o desconforto do arrependimento.
Quantos filhos deixam de procurar os pais, por
falta de atenção, e se vão, em busca de
alguém que ouça seus desabafos ou responda suas
perguntas.
Quantas esposas se fecham no mutismo, depois de
várias tentativas de diálogo com o companheiro
indiferente ou frio.
Quantos esposos se isolam após tentativas
frustradas de entendimento.
Por todas essas razões, vale a pena prestar
atenção nos braços que se distendem para um
abraço, os lábios que se dispõem para um
beijo, as mãos que se oferecem para um carinho.
Pense nisso!
Um gesto de ternura deve ser sempre bem recebido,
mesmo que estejamos sobrecarregados, cansados,
sem vontade de atender.
Uma demonstração de amor é sempre bem-vinda,
para dar novo colorido às nossas horas, ao nosso
dia-a-dia, às nossas lutas.
O amor, quando chega, dissipa as trevas, clareia
o caminho, perfuma o ambiente e refaz o ânimo de
quem lhe recebe a suave visita.
Pense nisso!
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