Rosa -
Pixinguinha
Alfredo Vianna / Otávio de Souza
Tu és,
Divina e graciosa
Estatua majestosa,
Do amor
Por Deus esculturada,
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor,
Do mais ativo olor
Que na vida,
É preferida, Pelo beija-flor...
Se Deus
Me fora tão clemente,
Aqui neste ambiente
De luz
Formada numa tela,
Deslumbrante e bela,
O teu coração,
Junto ao meu
Lanceado, pregado, E crucificado
Sobre a rósea cruz
Do arfante peito teu...
Tu és,
A forma ideal, Estatua magistral
Ó, alma perenal
Do meu primeiro amor,
Sublime amor
Tu és,
De Deus, a soberana flor
Tu és,
De Deus a criação
Que em todo o coração
Sepultas o amor,
O riso, a fé e a dor
Em sândalos olentes,
Cheios de sabor,
Em vozes tão dolentes
Como um sonho em flor.
És láctea, a estrela,
És mãe da realeza
És tudo enfim,
Que tem de belo
A santa natureza...
Perdão,
Se ouso confessar-te
Que hei de sempre amar-te
Óh, flor,
Meu peito não resiste
Óh, meu Deus,
Quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar
Em esperar,
Em conduzir-te um dia,
Aos pés do altar
Jurar,
Aos pés do onipotente
Em prece comovente
De dor,
E receber a unção
Da sua gratidão
Depois,
De remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de te envolver,
Até meu padecer
De todo fenecer...
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